Divulgando Uma Porção

A Mecânica Interna da Torá

Michael Laitman, PhD

O Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés, é uma odisseia fascinante de uma nação em formação. No entanto, por trás dos contos que revelam a natureza humana em seu apogeu e em sua profundidade encontra-se um oceano de sabedoria que, se descoberto, pode alterar a própria realidade. O livro Divulgando uma Porção: A Mecânica Interna da Torá do Dr. Michael Laitman, revela alguns pontos da sabedoria de uma forma que ninguém havia feito antes.

Obtenha a sua cópia em www.kabbalahbooks.info

 

 

 

Sobre o Autor

Do livro “Divulgando Uma Porção”

Rav Michael Laitman, PhD, é uma autoridade internacional sobre Cabala autêntica. Sua formação é altamente incomum para um renome no espiritual: ele foi educado nas ciências, tem mestrado em bio-cibernética, e seguiu uma bem-sucedida carreira científica, depois voltou sua atenção para Cabala para continuar a sua investigação científica.

Ele recebeu seu PhD em Filosofia e Cabala no Instituto de Filosofia da Academia de Ciências da Rússia.

Em 1976, ele começou a estudar a Cabala, onde inicia sua pesquisa. Em 1979, buscando novos caminhos na Cabala, ele conheceu o Cabalista Rabi Baruch Shalom HaLevi Ashlag (1906-1991), o filho primogênito, e sucessor de cabalista Rabi Yehuda Leib HaLevi Ashlag (1884-1954), conhecido como Baal HaSulam por seu comentário Sulam (Escada), sobre O Livro do Zohar.

Michael Laitman ficou tão impressionado com o filho de Baal HaSulam, que ele se tornou o discípulo mais próximo de Baruch Ashlag e também seu assistente pessoal, gastando a maior parte do seu tempo na companhia de seu mentor reverenciado, e absorvendo tanto quanto ele podia de seus ensinamentos.

Hoje, ele é considerado como sendo a maior autoridade em Cabalá, tendo de sua autoria trinta livros sobre o assunto, traduzidos em dez línguas. Suas lições ao vivo são transmitidas diariamente na TV a cabo e transmitidas por TV via satélite e internet em todo o mundo. Nos últimos anos, se tornou um palestrante procurado nos círculos acadêmicos nos Estados Unidos e Europa.

Dr. Laitman é o fundador e presidente do Bnei Baruch-Instituto de Educação Cabalística e Pesquisa, que opera o maior e mais extenso site na internet sobre Cabala, www.kabbalah.info. O site fornece acesso ilimitado a textos cabalísticos e mídia em mais de vinte línguas, com 1,4 milhões de acessos por mês. Desde o ano 2000, a Enciclopédia Britânica reconhece kabbalah.info como um dos maiores sites da internet, tanto no número de visitantes bem como pela quantidade de material educativo e informativo sobre a ciência da Cabala.

VeZot HaBrachá (Esta É a Bênção)

Do livro “Divulgando Uma Porção”

(Deuteronômio, 33:1-34:12)

 

Sumário da Porção

A porção, VeZot HaBrachá (Esta É a Bênção), é a última porção na Torá. Ela é dedicada à grandeza de Moisés. Nesta porção, Moisés abençoa as tribos de Israel e menciona a singularidade de cada tribo e seu lote particular.

Moisés morre aos 120 anos de idade. Antes de ele morrer ele sobe o Monte Nevo e é enterrado no vale em um vale na terra de Moabe. Os filhos de Israel pesam sua morte por trinta dias e então assumem Yóshua como seu herdeiro.

 

Comentário

“Esta É a Bênção” é a porção que conclui a Torá e há novos problemas nela que não são imediatamente identificados. No decorrer da Torá,  ela  fala  de  uma  pessoa  dentro  de  nós.  Ela descreve a correção de nossos corações, nossos desejos, nós subirmos acima de nossos egos e a obra pela qual invertemos o ego, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero” porque “a luz nela a reforma”.

Nosso inteiro ego se torna bom. Em vez de explorar, enganar e roubar os outros, precisamos agir ao contrário – doando e amando os outros. Percebemos o mundo espiritual superior através da qualidade de doação aos outros. Esta é realmente a inteira correção que precisamos fazer sobre nós mesmos. Esse é o processo que devemos atravessar, que fazemos nesta porção na conclusão das correções que a Torá detalha.

No decorrer das porções, gradualmente nos corrigimos através da luz que atraímos da Torá. Não  é uma coisa simples de fazer pois precisamos saber como atrair a luz. No fim, quando atraímos luz suficiente através da Torá, tendo corrigido nossos egos, chegamos à última fase na qual o ponto nos nossos corações – o ponto de Moisés, que nos acompanhou, preparou, nos explicou e tomou conta de nós – conclui seu trabalho.

Não há morte na espiritualidade. De fato, não há morte em lado algum; é só o modo como percebemos as coisas. Quando falamos de alguém que está “morto” ou “vivo”, isso só nos parece desse modo, quando, de fato, há renovação de todas as formas da matéria.

Muitos Midrashim (interpretações) lidam com o assunto da morte de Moisés não ser morte. É considerado que ele “subiu até Deus”. De fato, a “morte” de Moisés é o último grau das correções do deserto, que corrigiram somente alguns de nossos Kelim (vasos), a parte chamada Galgalta e Eynaim, vasos de doação. Agora devemos subir ao próximo nível das correções, até Éretz Yisrael (terra de Israel). Éretz vem da palavra Ratzon (desejo) e Yisrael (Israel) vem das palavras, Yashar El

(direito a Deus).

Agora precisamos corrigir nossos desejos mais pesados – os desejos de Éretz Yisrael — que estão em um nível mais elevado que o de Moisés, em um grau chamado Yóshua. Deste modo, agora um novo líder aparece em nós – Yóshua. Anteriormente, ele estava perto de Moisés, crescendo ao seu lado. Agora ele nos acompanha e conduz para as próximas correções.

É também por isso que é inútil que a Torá fale das correções futuras pois nós já estamos preparados para elas e as faremos; alcançaremos a correção da terra de Israel e do mundo inteiro. Este é o papel do próximo grau, o grau de Yóshua, no qual a terra de Israel, a terra da beleza, se espalha para o resto do mundo.

A morte de Moisés significa que atravessamos 120 graus, que são três vezes quarenta. Estes são os quarenta graus durante os quais ele foi criado na casa de Faraó e um grau chamado a “inclinação ao mal” apareceu nele, a “grande serpente”, “Faraó”. Ele passou outros quarenta anos na casa de Jetro, o sacerdote de Midiã e conduziu Israel pelo deserto durante outros quarenta anos. Ao todo, são 120 anos pelos quais precisamos atravessar em prol de realizar o ponto de Moisés nos nossos corações.

 

Perguntas e Respostas

A Torá começa com a letra Bet e o Zohar escreve que isso é porque Bet representa Berachá (bênção). A Torá também termina com a porção, “Esta É a Bênção”. O que é uma bênção e o que há de tão especial nela?

Uma “bênção” é uma força do alto. Quando nos conectamos a um grau superior, obtemos a força que nos corrige, aquela que está ausente do nosso grau. Embora nos pareça que conseguimos mudar nosso mundo, o concertar e tornar melhor, cada vez que tentamos, vemos que não temos sucesso, no mínimo.

É isso que muitos pensam hoje.

Como continuamos a ver, economistas, financeiros e industrialistas ainda pensam que há alguma coisa que possam fazer para corrigir a situação.

Por um lado, eles estão desesperados e não sabem o que fazer, mas por outro lado, eles estão a tentar. Este é um caminho seguro para o desespero, desamparo e um grande grito, como está escrito, “E os filhos de Israel suspiraram do trabalho” (Êxodo 2:23). Isso é semelhante à situação no Egito quando construíram suas cidades, Pitom e Ramsés. Quando a construção terminou, eles viram que tudo o que haviam estado a construir durante tantos anos não era a seu favor.

Estamos exatamente na mesma situação hoje. Contudo, finalmente, os graus adequados começam a aparecer. Começamos a refletir nas nossas vidas, o que precisamos obter, como podemos progredir e como podemos apoiar nossas almas e nossos corpos.

Finalmente nos apercebemos que nossa meta simplesmente não está no nosso poder e que precisamos que uma força superior nos ajude. É por isso que está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal; Eu criei para ela a Torá como tempero” pois “a luz nela os reforma”. Para ter sucesso, precisamos de orientação, o conhecimento de algo que não temos. Todos estão desamparados, de cada líder mundial para baixo, todavia ninguém sabe porquê. Estas pessoas ainda são conduzidas pelo momento, tentando fazer alguma coisa, mas seus esforços são todos infrutíferos.

Parece como se estivéssemos na fase do Egito. Isso significa que tudo foi pré-programado? Se sim, o que devemos fazer?

É claro que é tudo pré-programado; só precisamos levar a cabo o plano.

Mas não acontecerá de qualquer modo?

Quando uma criança vai para uma escola, o currículo já foi preparado: todos os testes, trabalhos  e tudo o que a criança aprenderá na escola. Mas a criança não sabe tudo isso. Tudo ainda está pela frente da criança. Quando na escola, ele ou ela é ensinada coisas novas cada vez. Novos exercícios são dados e a criança deve fazê-los. É assim que as crianças crescem.

Mas uma criança não consegue saber se ele ou ela crescerá para se tornar engenheiro ou um médico, ou se desistirá no último ano do liceu.

Nem a criança nem o professor sabem a resposta para isso. Contudo, se lermos o que os psicólogos, biólogos e geneticistas escrevem sobre a criança, veremos que eles se sentem bastante confiantes sobre preverem o que acontecerá à criança.

O fato é que, ainda não conhecemos todos os sistemas e, todavia, tudo já está determinado em avançado, nada há de novo. Não é aqui que nossa liberdade de escolha reside; nós não decidimos coisa alguma em ponto algum no caminho. Nossa livre escolha é somente estar em um bom meio ambiente que nos acompanhe no caminho curto, correto para esses estados que devemos experimentar.

Quando olhamos para trás nas nossas vidas, frequentemente sentimos que não controlámos realmente as situações nas nossas vidas.

Verdade. Nós agimos, mas as coisas simplesmente aconteceram de uma maneira ou de outra, nem sempre como as queríamos.

As crianças, também, não têm verdadeira escolha até certa idade.

Não são somente as crianças que não têm verdadeira escolha; nenhum de nós determina coisa alguma na vida, tenhamos nós vinte, trinta, quarenta, ou cinquenta anos. A única coisa que fazemos determinar é nossa relação para com aquilo que está a acontecer e para onde queremos ir. Este é o único modo como podemos mudar nosso destino. Devemos atravessar as várias fases do desenvolvimento, mas podemos experimentá-las como boas ou não tão boas.

Em outras palavras, entender o sistema e o perceber nos transforma em uma pessoa “doadora”?

É claro, é assim que mudamos nosso destino. Sentimos que participamos nas ações de uma maneira propositada, entrando em graus melhores e passos que nos promoverão para nossa meta.

Por exemplo, quando começamos a estudar, está claro que devemos também completar nossos estudos. É possível passar por eles ao sofrer “golpes”, falhando em testes e levando anos adicionais para os completar. Mas também é possível atravessar nossos estudos positiva e suavemente, ganhando louvores e prémios.

É tudo uma questão de abordagem, encorajamentos e o exemplo que o meio social oferece. É por isso que nossa melhor escolha está em estar em um bom meio ambiente no qual nos possamos desenvolver mais rapidamente e melhor. Tudo depende da nossa preparação.

Atualmente, muitos cientistas estão preocupados com o mundo; eles parecem concordar que há um colapso geral. Que tipo de mundo deixamos para os nossos filhos?

Isso chama-se, “E os filhos de Israel suspiraram do trabalho”. Chegámos a uma situação onde não temos para onde ir. Todo o trabalho que fizemos com nossos egos é como o trabalho no Egito. Quisemos desenvolver sistemas, desenhar edifícios, criar cidades como Pitom e Ramsés. Estas são belas cidades para o ego, mas o texto chama-lhes Arei Miskenot (cidades de miséria), que são tanto pobres como perigosas. * Podemos permanecer nelas, afogar-nos na poeira e nunca mais nos elevarmos novamente. Todavia, há um ponto de viragem do qual podemos saltar para o próximo grau.

Qual é o próximo grau? Que bênção devemos nós esperar agora, ou qual devemos evocar?

Precisamos entender que onde os ímpios caem, os justos subirão. Em outras palavras, parece que o presente ponto é na realidade um convite para nós ascendermos. Devemos deixar nossos egos para trás, não os apagar. Agora, podemos trabalhar com eles de uma maneira diferente.

Precisamos os transformar em “ajuda feita contra nós”, os tornando nossos assistentes contra eles mesmos. Precisamos entender que neste ponto estamos a ser convidados para alcançar o mundo iluminado, o próximo grau.

Nosso mundo inteiro está nos nossos egos e nós precisamos subir a um mundo que está inteiramente acima deles. Está escrito, “Amor cobre todas as transgressões” (Provérbios 10:12). Abaixo está o ódio e acima está o amor. Se nos unirmos, vamos descobrir o mundo espiritual entre nós, um de vida eterna, harmonia e abundância.

Assumindo que conseguimos alcançar esse estado, mas o resto do mundo não, o que mudará, se alguma coisa?

É possível fazê-lo individualmente, também.

Hoje somos muito dependentes uns dos outros, então o que importa de quem o faz?

Todos o devemos fazer. Aqueles que o conseguirem vão ajudar os outros a fazerem o mesmo; eles circularão a mudança e revelarão a informação em todo o lugar, assim ajudando a construir um novo meio ambiente.

A primeira coisa que o nosso mundo precisa é de um meio ambiente que encoraje as pessoas a se unirem, que nos ensine que estamos todos inevitavelmente conectados, agora que o mundo se tornou circular. Todos escrevem sobre isso. Cientistas respondem a este tópico e estão a publicar ensaios na Internet. Contudo, não estamos conectados entre nós, embora pela Natureza devemos estar conectados. Uma diferença que veio à superfície pela primeira vez entre nós e a Natureza, que em Guemátria, é Deus.

Em outras palavras, o Criador está a aparecer-nos como um sistema geral, integral e global. Ele deseja que nos conectemos em prol de nos aproximarmos Dele. Quanto mais nos unirmos, mais teremos sucesso. A falta dessa união entre nós é o problema pois não temos desejo por ela. Detestamos esta conexão, que é o porquê de precisarmos de construir um meio ambiente que nos influencie constantemente para pensarmos que é bom estar conectado.

Parece que é o trabalho pessoal de cada um. Mas, e a liderança? Afinal, enquanto indivíduos, o que podemos mudar?

Devemos fazê-lo acontecer. Hoje podemos todos ser influentes pois todos estamos presentes na Internet, no Twitter, no Facebook e assim por diante. Hoje, qualquer um pode fazer a diferença.

Mas nos habituámos a sermos geridos e ainda somos geridos por instituições e autoridades.

Nós vemos que essas autoridades não conseguem fazer coisa alguma. Todos os comités, as manifestações, as organizações que rebentam em todo o lado gritam que têm coisas que querem fazer. Mas o que estão elas na realidade a fazer? Elas querem o mesmo tipo de revoluções que tivemos há dois ou três séculos atrás? Todos sabem que estas não vão resultar no mundo de hoje.

É possível que alguém com inteligência surja e veja as coisas nesta luz?

Não, porque estas pessoas não estão a estudar Cabala. Para que isto aconteça deve ser uma pessoa que se levante do sistema circular e integral. Esse sistema existe somente naqueles que estudam a sabedoria da Cabala. Estes estudantes conectam-se uns aos outros em grupos e atraem a luz que reforma até eles através de sua conexão.

Estas pessoas estão a fazer correções chamadas Mitzvot (mandamentos/boas ações). A palavra, Mitzvá (singular de Mitzvot), vem da palavra Tzavtá (juntos). Quando eles se unem e atraem a luz, a luz corrige-os, que é fazer os Mitzvot. Eles corrigem os 613 desejos que existem em cada um deles ao se conectarem com os outros. Quando são corrigidos, eles ficam atados juntos.

Cada grupo que estuda Cabala se torna um mundo corrigido miniatura. Quando eles circulam este conhecimento eles transportam com eles o poder de mostrar ao mundo como nos devemos unir e o que precisamos fazer.

Não se diz que um novo líder nascerá, um  novo  Moisés?  Assumamos  que  um  líder  tal  como Moisés nasce agora. Que qualidades deve ele ter de modo a nos ajudar com a crise? Ou é esta uma questão de grupo?

Não se trata de um líder ou um tipo de personalidade; trata-se de um grande grupo, pessoas com pontos nos seus corações que estão conectadas entre elas.

Elas atraem a luz que reforma e através delas a luz atravessa o todo da humanidade. Este é o papel do povo Israelita, de ser a “luz para as nações”.

Esta é uma grande responsabilidade; isso depende de nós?

Nós não temos escolha, Moisés, também, não quis a responsabilidade, dizendo que ele era “pesado de língua” (Êxodo 4:10). Ele rejeitou este duro e comprometedor papel, tal como qualquer outra pessoa. Contudo, nós devemos levá-lo a cabo independentemente.

O mundo exige-o de nós através da sua abordagem antissemita. Eles na realidade dizem que dependem de nós e que somos nós os culpados pelos problemas do mundo. E, todavia, o fato de que o mundo depende de nós significa que temos o poder de mudar as coisas.

De O Estudo das Dez Sefirot

“Nossos sábios disseram (Midrash Rabá, Porção “E Esta É a Bênção”), O Criador disse para Israel: “Reparai, o todo da sabedoria e a inteira Torá são fáceis: qualquer um que Me tema e observe as palavras da Torá, a inteira sabedoria e a inteira Torá estão no seu coração. ” Assim, não precisamos de mérito prévio aqui; e somente pela virtude do temor a Deus e da manutenção dos Mitzvot é concedida a um a sabedoria inteira da Torá”. Cabala para o Estudante, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”, item 21

Esta é a resposta; de nada mais precisamos. Temor significa que tentamos levar a cabo uma ordem simples: queremos nos unir pois não temos escolha. Hoje, a Natureza e o mundo nos estão a obrigar a o fazer.

Para nos unirmos, nós temos de construir um meio ambiente que nos eduque através dos media, Internet, rádio e outros meios. Em breve, milhões de pessoas não terão emprego; elas terão de aprender e receberão suplementos ao seu vencimento em troca de aprenderem a se unirem. Cada pessoa trabalhará durante 2-3 horas diariamente porque não haverá trabalho suficiente para mais que isso. O resto do seu tempo será passado a estudar.

Seus estudos atrairão para elas a força vital, o poder da luz e através dela teremos sucesso em todas as coisas. Isto em si será um emprego.

De acordo com as estatísticas, hoje somente dois por cento da população global precisa trabalhar em agricultura e somente dez por cento mais são necessários na indústria, comércio e tudo o resto. Quando estabelecermos um mundo equilibrado e consumo mais equilibrado, quando deixarmos de consumir produtos não-essenciais, noventa por cento da população mundial não terá nada para fazer.

Isso soa ideal; todos vão querer trabalhar somente duas horas por dia, estudar o resto do tempo e serem pagos por isso.

Não é assim tão simples. O estudo consiste em duas partes: a recepção de informação e a recepção de educação social. Na primeira secção os estudantes aprenderão sobre o mundo e lhes será ensinado o sentido de um sistema integral. Isto incluirá o porquê da crise mundial estar a acontecer, natureza humana, livre arbítrio, o propósito da Criação, a correção da Criação e o que devemos finalmente alcançar. Este é um estudo sobre nossas vidas e sobre o processo inteiro da nossa evolução.

A parte da educação social vai consistir de exercícios de grupo que permitam às pessoas experimentar a nossa psicologia em primeira mão. Elas aprenderão a como se conectarem melhor com as outras e descobrirem o que nos motiva como seres humanos. Deste modo, as pessoas aprenderão psicologia e disto elas sentirão a alma dentro delas.

É assim que nos conectaremos com as almas. Vamos começar ao alcançar o próximo grau de existência, o grau do “Falante”, o grau humano (Adam), que é semelhante (Domé) ao Criador, como está escrito, “Regressai, Ó Israel, ao Senhor vosso Deus” (Oséias 14:2).

 

Termos

Conclusão, ou Conclusão da Torá

“Conclusão” refere-se à conclusão da orientação. Ela é o fim das primeiras correções na nossa preparação, quando adquirimos a primeira correção e então entramos na terra de Israel, onde continuamos as correções. Nesta conclusão, experimentamos a primeira  correção  nos  nossos 248 órgãos e 365 tendões, nossos 613 desejos. Isso é chamado “doar em prol de doar”, ou o “grau do deserto”.

Bênção

Uma “bênção” é o derramar da luz superior sobre nossa matéria (substância), nossas vidas. É impossível executar qualquer correção ou qualquer coisa de boa no mundo sem a luz superior, que é o operador e o fazedor.

Há um ensaio muito bom na Introdução ao Livro do Zohar, chamado “O Ensaio das Letras”, que explica que a Torá deve começar com a letra Bet porque somente na luz superior que vem do Criador, o grau de Biná, podemos nós fazer correções.

Tribo

Tal como nossos corpos consistem de diferentes órgãos tais como o cérebro, coração, fígado, rins e pulmões, o “corpo da alma” consiste de doze partes principais, conhecidas como Yod-Hey-Vav-Hey (HaVaYaH), em cada uma das quais há três linhas. Porque HaVaYaH consiste de quatro letras, se você o multiplicar pelas três linhas em cada letra, você obtém doze partes, conhecidas como as doze tribos.

120

“120” é 3×40. Cada Partzuf (face), cada alma, se divide em três partes: Rosh (cabeça), Toch (interior), Sof (fim). A correção completa em Rosh, Toch, Sof, é quarenta, que é o grau de Biná. Nos tornamos corrigidos através do grau de Biná, através da bênção.

Morte

Quando uma pessoa deixa de usar o presente grau e ascende ao próximo, isso é considerado

“morte”. O grau anterior é considerado morto pois ele não está mais a ser usado.

Líder

Isto é Rosh (cabeça) do grau, como uma cabeça. Israel é chamada “o líder do mundo”. Israel contém as letras das palavras Hebraicas, Li-Rosh (Eu tenho um Rosh). Um “líder” é o pensamento, a intenção que conduz e tudo é julgado de acordo com a intenção.

 

* A palavra, Miskenot, deriva da palavra Miskenut (miséria), mas também da palavra, Sakaná (perigo).

Haazinu (Dai Ouvidos)

Do livro “Divulgando Uma Porção”

(Deuteronômio, 32:1-32:52)

 

Sumário da Porção

A porção, Haazinu (Dai Ouvidos), lida com a entrada na terra de Israel. Moisés começa com um cântico que serve como recordação para o povo quando abandonarem a obra do Criador no futuro. O cântico louva a orientação do Criador e Sua escolha do povo de Israel e apresenta o povo de Israel como obstinado e que se voltou para a idolatria.

Posteriormente, há uma explicação da punição de cometer idolatria e uma afirmação de que o Criador não ajudará Israel contra seus inimigos em tal caso. Contudo, à medida que Israel se arrepender, o Criador os salvará de todos seus inimigos.

Quando Moisés termina de ler seu cântico, o Criador o ordena a subir ao Monte Nevo e olhar de lá para a terra de Israel. Ele diz para Moisés que ele morrerá e não lhe será concedida entrada na terra de Israel.

 

Comentário

A Torá contém todos os segredos do mundo. A Torá significa instrução; ela guia-nos sobre como nos devemos conduzir em prol de avançar. A Torá fala do todo da Criação e ajuda-nos a lidar com dificuldades, nos mostrando o que devemos fazer.

A grande pergunta é porque a Torá termina antes da entrada na terra de Israel. Na verdade, as lutas, problemas, os grandes dilemas e as dificuldades de lidar com tudo aquilo que espera o povo de Israel desse tempo em diante – especialmente nesta porção – já se encontra dentro de nós.

O povo havia alcançado um estado onde estavam prontos para entrar e entrar na terra de Israel, para lidar com todos os problemas e se elevarem acima deles. Foi precisamente através desta guerra que o povo adquiriu a terra de Israel. A história fala de nossos desejos, nossas forças, que se tornaram corrigidas através da luz, através de tudo o que fizemos e atravessamos no deserto em prol de estarmos prontos para entrar na terra de Israel.

O cântico, Haazinu, louva o Criador, a força de doação. Ele salienta que devemos sempre nos recordar de interpretar o que acontece com exatidão e exaltar a força de doação, o valor do amor pelos outros, que é a grande regra da Torá e para a qual fazemos tudo o que precisamos fazer. “Ama teu próximo como a ti mesmo” é mais que uma simples máxima; ela é o propósito de toda e cada ação, uma regra que inclui todos nossos esforços.

O cântico louva o povo de Israel – aqueles desejos em nós que querem subir, serem como o Criador, dando com a meta de doar ou até receber com a meta de doar. O cântico louva todos esses desejos, chamados “o povo de Israel” pois eles são os maiores e os mais importantes.

De vez em vez devemos nos recordar que o Criador nos apoia somente em ações de doação. Isto é, se desejamos receber qualquer apoio ou bênção, o mereceremos somente se avançarmos na direção da conquista da terra, na direção da conquista de todos os desejos egoístas que presentemente nos governam e os transformar na direção de doar.

Devemos vê-lo hoje no mundo, também. Estamos a ser expostos ao nosso próprio sistema corrupto, a crise global inclusiva, que pode ser solucionada somente através da conexão entre nós. Este é o único meio de nos elevarmos acima da crise geral e construirmos o que é chamado a “terra espiritual de Israel”.

Sair da crise é nosso próprio êxodo do Egito – através de grandes problemas que experimentamos, através vagueza, má compreensão e desorientação, tal como no deserto. Não fazemos ideia de para onde ir ou como chegar lá, sem metas claras, sem ideia do que devemos fazer e, todavia, chegamos à terra de Israel. Atravessamos o deserto quando desistimos de tudo a partir do desejo de estar verdadeiramente na direção de doar, em união  entre  nós.  Quando  nos  começamos  a  conectar, construímos entre nós um desejo que é Yashar El (direito a Deus), Yisrael (Israel).

Éretz (terra) vem da palavra Ratzon (desejo). É Yashar El quando todos nossos desejos se direcionam uns para os outros e a rede de conexões entre nós constrói o Kli chamado Éretz Yisrael (terra de Israel).

É por isso que está escrito que assim que a humanidade complete o processo das correções e escrutínios, a terra de Israel se espalhará pelo mundo como “A terra da beleza” *. No fim, todos os desejos da humanidade se unirão e se tornarão um, “como um homem com um coração” e esse é o tema principal do grande cântico, Haazinu.

Se não avançarmos para isso, enfrentaremos problemas e apuros que não só nos virarão ao contrário e nos direcionarão sem mercê para a meta sem apoio favorável, mas também nos mostrarão onde estamos a errar cada vez e como devemos avançar.

Moisés é somente um observador. Ele nada pode fazer mais que isso e só faz a correção geral de olhar para a terra de Israel.

Moisés é chamado o “fiel pastor”, a pura qualidade de doação. É por isso que ele consegue ver somente a terra de Israel na luz que está em GAR de Biná, pelos quais ele ajudará a pavimentar o caminho para o povo de Israel, através de sua contemplação.

“Contemplar” refere-se a correções. Estar no Rosh (cabeça) do grau é o que Moisés faz. É também assim que entramos na terra de Israel, bem como a atravessamos usando o poder de Moisés.

 

Perguntas e Respostas

O título da porção é Haazinu (Dai Ouvidos). O que é Haazinu e o que é cantar?

Não há ver antes da terra de Israel. Todos nossos Kelim (vasos) são Kelim de ouvir e ver. Ouvir é o grau de Biná e ver é o grau de Chochmá. Posteriormente, ambos sobem juntos a Kéter.

Nós mesmos estamos em Malchut, então primeiro Malchut ascende a Biná. Nós ascendemos a Biná através do deserto, onde a força de doação caminha em frente e a perseguimos, almejando acompanhá-la contra nossa vida.

Esse estado, essa jornada, é verdadeiramente um deserto: seco, sem vida, vazio, onde tudo acontece com grande dificuldade. Todavia, este é o único meio de obter a força de doação acima de nossa vontade de receber.

O homem está feito para querer desfrutar da vida. É por isso que todos nós nos esforçados a nos satisfazermos a nós mesmos. Não queremos ter consideração por ninguém, como se nossa vontade de receber nos dissesse, “Eu quero ter o mundo inteiro e o mundo vindouro e não há ninguém no mundo senão eu e o Criador, que me servirá”.

Nós temos de nos corrigir para o oposto e avançar de tal modo que todos nossos “seres”, nossos desejos, pensamentos, qualidades e tudo dentro de nós e ao nosso redor se direcione para a doação. Estas correções nos permitirão conectar ao grande e inteiro Kli e descobrir o mundo espiritual e nossas próprias vidas espirituais, onde estamos incluídos nesta imensa força chamada “Criador”. Assim, não sentimos que pertencemos ao nível animal, mas a outro nível de existência.

Construímos o que é chamado o “falante” ao adquirir a força da fé, de somente doar, nos conectarmos aos outros, achando os canais de doação e conexões que ainda não estamos a ativar.

No deserto, precisamos do poder de Moisés, que é como o sol. Yeóshua, com o qual entramos na terra de Israel, é como a lua. Quando nos elevamos acima do Egito, enfrentamos nosso próprio desejo egoísta e adquirimos o nível de Biná, o nível de Ozen (orelha), ouvir.

Moisés, que iniciou o grau em Monte Sinai, é também aquele que o termina. Sua última paragem é na entrada para a terra de Israel, no Monte Nevo. Haazinu é a transmissão da força de Moisés, que adquirimos um de cada vez durante os quarenta anos do deserto.

“Quarenta” é o sinal que subimos ao nível de quarenta, o grau de Biná. Foi por isso que foi dito que um homem está proibido de estudar a Torá (Cabala) antes dos quarenta anos de idade. O nível de quarenta significa que uma pessoa ainda não adquiriu o grau de Biná e deste modo não consegue ver. Ela não adquiriu a visão, mas somente a audição e a Torá é chamada “atingir o Criador”.

Haazinu é uma espécie de conclusão do grau de Biná?

“Conclusão” significa a conexão de todos os graus do deserto que são dados ao povo de Israel juntos, para os preparar para entrarem do deserto para a terra de Israel.

De O Zohar: Moisés revelou no Dia em que Ele Partiu do Mundo

“No tempo em que Moisés disse, ‘Dai ouvidos, Ó céus e eu falarei,’ os mundos se agitaram. Uma voz veio em diante e disse, ‘Moisés, Moisés, porque alarmas tu o mundo? Tu és o filho do homem e por causa de ti o mundo tremerá.’ Ele começou e disse, ‘Pois eu evoco o nome do Senhor.’ Nessa altura eles ficaram em silêncio e escutaram suas palavras”. Zohar para Todos, Haazinu (Dai Ouvidos), item 22

Isto conclui o papel de Moisés e ele entrega tudo a Yóshua, o grau da lua. Yóshua não doa de si mesmo, mas somente o que ele recebeu de Moisés. Yóshua adquiriu de Moisés a força de doação somente porque ele era devotado a ele. Ele não estudava, mas serviu Moisés.

Nós, também, precisamos entender que se servirmos o mundo, então subiremos e adquiriremos a Criação inteira. Este é o papel da nação Israelita, de ser “uma luz para as nações”, de nos corrigirmos e sermos “um reino de sacerdotes e uma sagrada nação” (Êxodo 19:6).

No grau do deserto, nos corrigimos e nos preparamos para servir os outros. No grau da terra de Israel, começamos a trabalhar com os desejos de receber e os transformamos naqueles que visam doar. Estes graus testemunham que estamos prontos para trabalhar com as nações do mundo, ou seja com o todo da humanidade.

O que significa que o Criador ajuda ou não ajuda a nação face a seus inimigos? Como dizemos se Ele ajuda ou não?

Nós estamos sempre no estado em que tudo está preenchido de luz e o Criador está sempre presente. Contudo, tudo isto está escondido de nós pois nós o escondemos com nossos Kelim por corrigir, com nossos desejos e pensamentos. Quanto mais corrigidos nos tornarmos – conectados entre nós em doação, amor e união – mais descobriremos a força que preenche o todo da realidade, até agora.

Deste modo, se Ele ajuda ou não depende da nossa direção. Se avançamos para Ele e trabalhamos para sermos como Ele à medida de nossa equivalência de forma com o Criador – de acordo com as leis de equivalência de forma – O descobriremos. Isso é semelhante ao modo como um rádio trabalha: Quando ele está sintonizado para receber o comprimento de onda certo, escutamos o que está a ser transmitido e em que frequência.

É suficiente o querer, ou também precisamos o levar a cabo?

Precisamos levar a cabo certas ações, mas não em prol de dizer, “Eu quero-o”, mas em prol de o realmente querer. Deste modo, querer é suficiente, mas não é simples dizer, “Eu quero-o”. Não é uma questão de palavras. Em vez disso, dentro desse desejo deve também estar a decisão de que tudo o que eu quero é que isso aconteça.

Por exemplo, se uma pessoa se deseja conectar aos outros somente para beneficiar os outros, em “Ama teu próximo como a ti mesmo”, essa pessoa deve examinar como ele ou ela tenta usar o todo da realidade a favor do outro e a partir daí, em favor de mais e mais pessoas. Isso é o modo oposto de como as pessoas agora atuam, quando usamos o todo da realidade para nós mesmos.

Em outras palavras, o outro se torna mais importante que o eu?

Este é o sentido de “como a ti mesmo”, mais que a ti mesmo. É tal como uma mãe trata seu bebê.

Isso deve estar nas intenções? Não é suficiente fisicamente dar aos outros tudo o que tenho?

Não se trata do mundo físico, que é completamente insignificante aqui. Isto diz respeito à conexão dos corações, nossas almas, nossas emoções. O todo da realidade – o todo da matéria que foi criada – consiste de desejo. Com “desejo”, pretendemos dizer sua direção e como o usamos. De nada precisamos senão querer, como está escrito, “O Senhor terminará por mim” (Salmos 138:8).

A força superior que descobrimos aqui entre nós é o que constrói a rede. Esta é a obra de Deus. Não precisamos fazer nada; não há ações em nós; nós não conseguimos fazer coisa alguma a não ser pedir que seja feita. Vimos com aqueles que erraram em diferentes ações na jornada pelo deserto, quando não sabiam como pedir, como exigir, como revelar.

Há um elemento aqui que parece educativo. O Criador aparentemente está a dizer, “Eu sei que vocês vão pecar na vossa direção de alguma maneira. Serão punidos por isso e então se arrependerão”. Que bem virá daí?

Quando educas uma criança, não dizes tal coisa, mas em vez disso, “Escuta, é melhor para você fazer isto ou aquilo”, enquanto dando um exemplo à pessoa. Quando a criança erra, a deixamos entender que isso foi um erro. Mas não dizemos a uma criança, “Sabemos que vais cometer erros, então tem cuidado senão será punida, mas então vai se arrepender e ficará bem”. Estas não são palavras úteis.

Não nos é exigido que sejamos bons. Rabi Akiva  sabia  da ruína do  Templo  em  avançado, então quando a ruína finalmente chegou, ele riu-se. Jacó queria falar do que se estava a passar aos seus filhos acerca deles. Rabi Shimon sabia que tipo de livro ele escrevia e para que tempos, bem como o que aconteceria. Entretanto nós, também precisamos experimentar estes eventos. Deste tempo em diante, começamos a descobrir que tudo está bem diante de nós e o que está preparado para nós.

Está claro que cometeremos erros em cada passo do caminho e cada passo do caminho e cada um de nós vai descobrir o pecado de Adam HaRishon (Adão) em todos os nossos 613 desejos. Todavia, nosso erro será se não pedirmos, se não pedirmos e exigirmos da força superior, o Criador. Somente quando nos conectarmos com os outros tanto quanto pudermos descobriremos quanto os odiamos e repelimos. Deste modo, devemos exigir do Criador para manter a conexão e não nós, ou o resultado será ora uma corrupção, ou descobriremos que é o oposto e fugimos.

Não precisamos ter medo de revelar a quebra entre nós, o ego maior. Também não precisamos nos dobrar a outros deuses. Em vez disso, devemos pedir a correção aqui, em vez de fugirmos.

Se fizermos isto, faremos tudo corretamente e não cometeremos erros. Contudo, na verdade, cometemos erros cada vez pois não conseguimos propriamente descobrir nosso ponto de contato com o Criador. Devemos esforçar-nos na abordagem correta, também, onde tentamos agir como bebês. Mas depois de grandes esforços e tremendo trabalho, devemos ainda assim errar, revelar a quebra e aprender que somos incapazes. Somente então descobrimos o tipo certo de mal.

Descobrimos o mal a partir do tipo certo de quebra, da adequada. Para isso, também, nós precisamos da luz, da revelação do Criador. Quando isso acontece, vemos o lugar que o Criador precisa concertar. Vemos a grande quebra, a grande correção e recebemos tudo pré-preparado. De fato, estamos somente presentes no processo enquanto ele acontece, com nossos grandes egos, as revelações e a quebra e sua correção.

Qual é a ideia por trás de subir o Monte Nevo? Moisés subiu e vislumbrou, mas não foi permitido entrar na terra de Israel. Isto soa cruel porque ele foi permitido de ver a beleza de longe, mas não foi permitido de a alcançar.

O Criador disse para Moisés avançar que eles se aproximavam da terra de Israel e que ele ia morrer e que Yóshua o substituiria. Isso soa desumano, sem coração, mas o grau de Moisés não está diretamente relacionado à terra de Israel no fim da correção.

Moisés representa o todo da luz do sol, toda a luz. Mas por agora, a terra precisa ser conquistada e corrigida e somente a força de doação pode entrar na terra de Israel, somente Yóshua, a luz da lua. Ao deixa-lo entrar e corrigir essa força – a luz da lua – o papel de Yóshua termina e somente então chega o fim da correção.

Assim que o povo de Israel tiver entrado na terra de Israel, há somente ruínas, expulsões e exílios. Passado algum tempo há um retorno à terra de Israel e somente agora implementamos todas as correções e chegamos a um estado onde há revelações da genuína terra de Israel e o desejo de receber com a meta de doar. É então que chegamos a esse estado conhecido como (Samuel 2, 23:20) “um valente soldado de Cabzeel(Rav Pe’alim Mekatze’el).

Todas as correções que fizemos durante as gerações se reunirão em uma única correção, a rede de conexões entre nós, entre todas as almas, aparecerá de uma só vez e todos estarão verdadeiramente conectados. É então que a força de Moisés irromperá com a luz do sol, juntamente com Yóshua, a força da lua – “as duas grandes luzes” (Gênese 1:16), e nós chegaremos a um dia que é todo bom.

Fizemos quaisquer correções no caminho? Parece que nossa presente situação é pior que nunca.

Até agora, só nos preparamos. Não fizemos correções até então e não revelamos todas as corrupções. Somente agora, nesta crise, estamos a começar a divulgá-las. A corrupção e a correção estão próximas; elas estão atadas uma à outra. Se desejarmos, podemos fazê-lo muito rapidamente pois não há necessidade que as correções sejam demoradas.

Isso depende de nós? Parece que o Criador faz tudo.

Isso depende do nosso pedido. Podemos apressar os tempos. Está escrito (Maséchet Berachot, 49a) que Israel santificam (apressam) os tempos. Devemos “evocar” o Criador para corrigir. Essa é a força de doação que está entre nós, a luz escondida que está presente até agora e que nós devemos evocar para nos corrigir.

 

Termos

Um Povo de Pescoço Obstinado

Nós temos os lados de Panim (face) e Achoraim (dorso). Os Achoraim do grau são os desejos mais duros e egoístas de receber e não dar. “Obstinado” significa grande dificuldade; estes são os maiores desejos, os mais duros e certamente eles se encontram em Israel e não noutro lugar.

Embora vejamos que a crueldade existe em todos, é tanto o mais assim em Israel pois quando chegamos a estas grandes correções, nós nos conectamos e escrutinamos os piores Kelim (vasos) e nos tornamos um povo de pescoço obstinado. É impossível evitar isto.

Uma pessoa vulgar não é considerada de pescoço obstinado. Em vez disso, somente aqueles que caminham no caminho das correções se tornam mais rígidos, cada vez mais descobrindo a inclinação ao mal, como está escrito, “Aquele que é maior que seu amigo, sua inclinação é maior que a dele” (Talmude Babilônico, Maséchet Sucá, Capítulo 5, 52a).

Orientação do Criador

A orientação do Criador significa que não há ninguém além Dele. No caminho, só precisamos trazer o catalisador entre nossas ações e as Suas – a exigência que venha a acontecer. Sem nossa exigência não virá a acontecer, mas na verdade o Criador começa e termina toda a situação e nós só pedimos no meio.

Não é um simples pedido. Precisamos saber pelo que estamos a pedir e como Ele o executa. É assim que Ele sabe que chegámos a conhecer o sistema inteiro, bem como a Ele.

Punição

Uma “punição” é a incapacidade de doar porque não há nada pior senão lhe ser negado isso; é semelhante ao modo como consideramos a recepção a coisa mais importante.

Monte Nevo

Este é o lugar de Biná, o lugar de Moisés, onde esta força se encontra até que ela alcance a redenção completa e então ela aparece.

Vislumbrar Sobre a Terra

Esta é a correção de ver, chamada “vislumbrar”. Histaklut (olhar) dos Eyinaim nos ACHP é o que Moisés faz. É assim que ele realiza correções sobre a terra de Israel, para que o povo possa entrar na terra com sua bênção, sua força e possam continuar as correções. Yóshua já os conduz com a força de Moisés.

Idolatria

Quando nos voltamos para nós mesmos ou para qualquer outra força no mundo senão a única, Força doadora, que se encontra escondida entre nós e deve ser revelada, isto é chamado “idolatria”. Devemos voltar-nos para ela e pedir que seja revelada e nisto irá consistir a correção.

Sumário:

Nós precisamos fazer a conexão inteira de “Ama teu próximo como a ti mesmo” entre nós. Não é simples, mas é a grande regra da Torá. Amar os outros é o todo da realidade que se deve reunir. Hoje, descobrimos que o mundo inteiro precisa disto – esse é o único modo em como seremos capazes de sair das crises nas quais nos encontramos hoje.

Estamos verdadeiramente em um estado quebrado, que na realidade são boas notícias, porque então podemos descobrir o negativo em nós. Quando o fizermos, precisamos somente de exigir do Criador, juntos com nossa força comum, que Ele nos conecte aos outros e então O descobriremos e descobriremos a vida espiritual perfeita, pacifica, em harmonia interminável para todos, aqui e agora.

 

* Nesse dia levantei MINHA mão sobre eles, para os trazer para fora da terra do Egito para uma terra que Eu havia procurado para eles, fluindo com leite e mel; esta é a beleza de todas as terras.

Nitsavim – VaYeléch (De Pé – Foi Moisés)

Do livro “Divulgando Uma Porção”

(Deuteronômio, 29:9-30:20; 31:1-31:30)

 

Sumário da Porção

A porção, Nitsavim (De Pé), lida com o discurso de Moisés a respeito da aliança entre Israel e o Criador. Moisés clarifica que a Torá se aplica ao povo inteiro de Israel, a todo e cada um e que foi dada até à posteridade. Moisés salienta o princípio da escolha: caso uma pessoa adore outros deuses, ela será exilada da terra. Mas se ela desejar ser reformada, o caminho é através de arrependimento. O Criador permite ao povo escolher entre a vida e morte, mas ordena-os, “Deste modo escolhei a vida” (Deuteronômio, 30:19).

Na porção, VaYeléch (Foi Moisés), Moisés dá seu discurso final antes da entrada do povo na terra de Israel. Ele reforça a confiança do povo para que eles não temam lutar pela terra sabendo que o Criador está com eles. Ele oficialmente entrega a liderança a Yóshua (Josué), filho de Nun. Moisés escreve a Torá e instruiu ao povo de Israel para se reunir uma vez em cada sete anos para a ler. O Criador revela a Moisés que no futuro o povo de Israel pecará e ordena-o a escrever um cântico para recordar o povo do Criador.

 

Comentário

Pode parecer que as porções se repetem a si mesmas, mas qualquer repetição é como um novo grau. A Torá inteira lida somente com a correção da alma. É como se a alma estivesse cortada em fatias de acordo com os graus da grande vontade de receber, que é o porquê dela parecer a mesma.

Similarmente, cada dia de nossas vidas parece se assemelhar ao próximo, todavia cada dia parece diferente e a vida consiste de muitos dias juntos. A coisa especial neste processo é que não se trata do povo de Israel ou do deserto, mas de um indivíduo atravessar as fases do desenvolvimento espiritual.

O desenvolvimento espiritual é feito em duas fases. A primeira é a preparação na Babilônia, na Bilbul (confusão). A segunda fase é no Egito. Neste mundo, um tenta fazer como ele acha melhor, mas desiste, pois, este mundo nos conduz para um estado onde vemos que não alcançamos bons resultados na vida. O resultado é uma crise semelhante a aquela em que o mundo se encontra hoje.

E, todavia, não procuramos o sentido da vida, mas dinheiro, poder, respeito, prazeres, liberdade, férias e estamos a começar a entender que é impossível o ter. Seja devido a crises pessoais ou por causa da crise global, finalmente chegamos à questão fundamental, “qual o sentido da minha vida? ” Procuramos satisfação na vida, mas não a conseguimos encontrar em lado algum. Deste modo, sem satisfação nos sentimos como o Profeta Jonas, que disse, “É melhor para mim morrer que viver” (Jonas, 4:3).

Procuramos preenchimento, mas chegamos a uma situação onde há somente um caminho, que estamos a descobrir estes dias. Gradualmente, o mundo inteiro se está a aproximar da fase de, “qual é o sentido da vida? ”

Devido às crises, todos enfrentamos um estado de bancarrota. Embora presentemente pareça que somente os bancos e grandes empresas estejam a avançar para isso, na verdade o mundo inteiro enfrenta as questões: “o que estamos a fazer com nós mesmos, com nossas vidas? ” “Para que serve tudo? ” “O que está a acontecer aqui? ” Estas questões conduzem-nos à resposta que tudo está a acontecer somente para que possamos subir acima da busca de satisfação nas nossas próprias curtas vidas.

Enquanto começamos a procurar verdadeiro preenchimento, a vida eterna e completa acima desta transitória, atravessamos fases de correções internas que nos conduzem para outra vida, para a vida espiritual, a vida da alma. É como se adquiríssemos outro corpo, um interno, que não é feito de carne, mas é todo desejo. Nosso corpo corpóreo, a carne, é onde o desejo se veste e ele é chamado uma “alma”, que devemos revelar e nutrir.

Há duas fases no desenvolvimento desse corpo: a primeira é chamada “Moisés” e a segunda é chamada “Yóshua”. Moisés é chamado o “fiel pastor”. Nessa fase, subimos ao grau de Biná, de doar com a meta de doar. Esse é um grau que é todo doação, fé. Os graus onde adquirimos a qualidade de Moisés, a revelação do corpo espiritual, são chamados os “quarenta anos no deserto”.

Depois da revelação do corpo espiritual – o Kli (vaso) da alma – trabalhamos para o preencher com luz. Adquirimos o Kli, conquistamos a terra de Israel, expelimos de lá o que é desadequado e indesejável e preenchemos nosso Kli com a luz superior. Este é o grau de receber com a meta de doar, o grau de Yóshua. Esse é um grau mais alto que Moisés, um grau “melhorado” de Moisés.

Nós avançamos na conquista da terra (desejo) ao trabalhar sobre nossa vontade de receber egoísta, que se opõe e tenta nos fazer falhar em cada passo do caminho. Ficamos perdidos, erramos e constantemente temos problemas com a aliança. Devemos conectar-nos com a vontade de doar e constantemente escolher a vida, como está escrito (Deuteronômio 30:19), “Deste modo escolhei a vida, para que possais viver, vós e vossos descendentes”.

Nós podemos adquirir a vida espiritual adicional enquanto vivendo nos nossos corpos físicos. Isso depende somente de nossa correção, na medida à qual estamos imersos na intenção de doar, a quão preenchidos estamos com a luz superior. Quando obtemos a luz superior, somos recompensados com a vida eterna. Esta é realmente nossa meta; ela é o propósito de nossas vidas aqui neste mundo, nos nossos corpos físicos. Este conhecimento costumava estar nas mãos de uns poucos indivíduos escolhidos em cada geração, mas hoje o mundo inteiro está a despertar para ele e todos precisaremos de revelar nossas almas.

 

Perguntas e Respostas

As porções que falam da entrada na terra de Israel mencionam a nova liderança de Yóshua e novas leis. Hoje o mundo também avança para uma nova fase com novas leis. Explicações sobre isso ajudarão ou é impossível entender coisa alguma até que estejamos na realidade no Novo Mundo?

Primeiro, precisamos reconhecer nosso desamparo e carências, semelhante ao modo como aconteceu no deserto quando enfrentámos a entrada para a terra de Israel, mas não sabíamos o que fazer e tememos entrar nela. Até antes disso, no pé do Monte Sinai, houve um problema de grande ódio semelhante a aquele que ameaça explodir por todo o mundo hoje e nos puxar para uma terceira guerra mundial, uma nuclear.

E antes do Monte Sinai, tivemos de saltar para o Mar Vermelho e o atravessar, apesar de nosso muito real medo da morte. Hoje, sentimos os mesmos grandes obstáculos pairando sobre nós como paredes intransponíveis. E, todavia, a Torá sempre abre uma porta para nós.

Baal HaSulam escreve sobre isso lindamente em uma história sobre um homem que vê uma parede com uma porta. Ele aproxima-se da porta, abre-a e entra. Na espiritualidade, há uma “parede” porque presentemente não vemos nada de todo. Ainda não conseguimos ver o que nos separa da espiritualidade. Primeiro, descobrimos a parede. Quando quisermos transpô-la e aparentemente esbarramos nela primeiro com a cabeça, descobrimos a porta e tentamos entrar e a porta imediatamente se abre.

Vemos isto muitas vezes na Torá: Perto do Mar Vermelho, quando Nahshon saltou e o mar se abriu, bem como no Monte Sinai e noutros casos. Nos é requisitado “ir em frente”, escolher a vida.

De O Zohar: Moisés É Domínio do Sol; Yóshua é o Domínio da Lua

“O Criador disse para Moisés: ‘Moisés, desejais vós que o mundo mude? Alguma vez haveis visto o sol adorar a lua? Alguma vez haveis visto a lua governar enquanto o sol está ainda presente? Em vez disso, os dias de tua morte chegaram; convocai Josué. Deixai que o sol seja levado e a lua governe. Além do mais, se entrares na terra, a lua será levada por causa de vós e não sereis capazes de governar. Certamente, o governo da lua, Josué, chegou e ela não pode governar enquanto vós ainda estais no mundo’”. Zohar para Todos, VaYélech (Foi Moisés), item 12

Estes são dois graus. É impossível avançar de um grau para o próximo sem completar o primeiro. Devemos completar o grau de Moisés, o grau de Biná – doar com a meta de doar. Daí, avançamos para o grau de Yóshua, de receber em prol de doar. Esta é a conquista da terra, a entrada para a terra de Israel – um desejo que está direcionado inteiramente para a doação.

Em outras palavras, o grau de Moisés é “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”. O grau de Yóshua é “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Esse é um alto grau, um prolongamento do grau de Moisés. O próximo grau está sempre um passo mais próximo do fim da correção, em comparação com o anterior e Moisés é o nível fundamental de todos os graus.

O que significa que o Criador informa Moisés que o povo pecará?

Não há outro modo. Avançamos somente através de nossos pecados, através dos ímpios que aparecem a nós. O Criador diz-nos em avançado, “Eu criei a inclinação ao mal”.

O todo da Criação é a inclinação ao mal. A inclinação ao mal é má vontade, um desejo egoísta, o oposto do Criador. Ele é um desejo de receber com a meta de receber, de ser desdenhoso de todos, explorador, ladrão e enganar a todos. O Criador não esconde o que Ele fez, mas explica que Ele fez tudo isso para que nos corrigíssemos e nos elevássemos acima dessa má vontade.

A sabedoria da Cabala é a única que nos explica como nos corrigirmos. Aquele que se sente verdadeiramente merecedor de correção deve fazer alguma coisa com o ego, consigo mesmo, com a sua vida e achar preenchimento na vida. É então que ele vem para a sabedoria da Cabala. Tudo o resto que fazemos na vida são meros costumes, mas eles não nos corrigem ou sequer revelam para nós que somos maus.

Antes de Rosh HaShaná (a noite de Ano Novo Hebraico) e Yom Kipur (Dia da Expiação), um tempo de introspecção e reflexão, dizemos, “nós traímos”. Dizemos que somos realmente ímpios, tanto uns para os outros como para o Criador. Mas não estivesse escrito nos livros de oração, quem pensaria que assim seria? De fato, até quando o lemos nos livros de oração, não simpatizamos realmente com isso ou sentimos que realmente assim é.

Porque tem o Criador de nos ordenar a escolher a vida? Quem escolheria a morte?

Nossa vida e morte fisiológicas estão completamente fora de nosso controle. Assim que nascemos, não há questão que venhamos também a morrer. Mas até a escolha entre se nascemos ou não, não está nas nossas mãos. Desde o momento em que emergimos do ventre, começamos a marchar para a morte. Sucede-se que o mandamento de escolher a vida nada tem a ver com a vida física.

O Criador pavimenta um bom caminho e um mau e então diz “Escolhei”, recomendando que escolhamos o bom?

Escolher o bom indica que uma pessoa adquire a vida espiritual enquanto ainda nesta vida. “Deste modo, escolhei a vida” a vida espiritual enquanto ainda nesta vida. A escolha é se terminamos a vida como uma pessoa vulgar terminaria – no fim da existência física, tendo vivido em prol de servir o corpo, colocando-o para dormir, o banhando e satisfazendo suas outras necessidades – ou se elevar a outro nível enquanto ainda no corpo físico. A Torá é para aqueles que desejam ascender a outro grau, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu criei para ela a Torá como tempero”. Nesse caso, “A luz nela a reforma”.

Quando um chega a essa Torá (lei) da vida, à eternidade e perfeição, essa pessoa adquire uma vida adicional durante esta vida. Quando isso acontece, ela não morre, até quando o corpo morre.

Nestes dias, começamos a sentir mais e mais como um povo. Empatizamos e começamos a deliberar. Enfrentamos um movimento muito grande que teremos de tomar?

Agora é a primeira vez na história que as pessoas não sabem o que fazer com o mundo. Descobrimos que tudo o que desenvolvemos durante os anos gradualmente está a parar, a se tornar disfuncional. Não sabemos o que trabalhará e o que não. Subitamente, tudo “se escorrega dos nossos dedos”, e os líderes não sabem o que fazer, com todo seu conhecimento e conselheiros.

É esta a parede da qual anteriormente falámos, que continuamos a encontrar em toda a direção?

Sim, estamos a descobrir que o sistema Divino começa a aparecer. Ele chama-se, “a revelação do Criador às criaturas”. Quando a força Divina – qualidade Divina (de doação) – aparece, ela é um sistema com o qual não sabemos como lidar.

O homem é a inclinação ao mal. Todavia, subitamente, a boa inclinação aparece diante de nós. Contudo, nós não a reconhecemos como boa. Vemos que o mundo é global, integral e que todos estão interconectados e interdependentes, mas não queremos viver nesse mundo. É onde descobrimos que somos feitos do material oposto. Afinal, o Criador diz, “Eu criei a inclinação ao mal” em vós e aqui um sistema aparece diante de nós e cria a boa, onde todos estão conectados. Se você se tentar adaptar a si mesmo a esse sistema, descobrirá “deste modo escolhei a vida”.

De que Yóshua precisamos agora?

Ambas estas forças, Moisés e Yóshua, existem em todos nós.

Há uma diferença entre como as pessoas buscavam há trinta anos atrás, quando cada uma buscava pessoalmente e como agora elas buscam hoje?

Até quando tudo estava bem, as pessoas ainda precisavam de responder à questão sobre o sentido da vida.

Mas aqui há uma enorme diferença porque as pessoas hoje não questionam porque estão a viver. A crise está a chegar à porta de suas casas.

Até hoje, algumas pessoas estudam Cabala porque procuram o sentido e propósito da vida, embora elas sejam geralmente felizes. Elas não vêm por causa do sofrimento nas suas vidas diárias, mas por causa da dor emocional de se sentirem vazias. Contudo, aqueles que vêm estudar Cabala são cerca de um por cento da população global. O resto virá por causa dos problemas nas suas vidas diárias.

Assumamos que um é do Japão e experimentou o terramoto e tsunami e então o desastre nuclear em Fukushima, essa pessoa não questionaria, “O que se está a passar aqui? ” “Estou a falhar alguma coisa? ” Ou essa pessoa simplesmente estaria perdida e não saberia como lidar com o mundo? Sentiria alguém que simpatizasse com ela o mesmo?

Toda a nação, pessoa e cada parte do mundo é tratada diferentemente. Nós não sabemos de que modo porque isso tem a ver com as “sentenças das almas”, mas sentiremos imensas pressões nos empurrando para a entrada da rede de conexões entre nós, a rede global e integral que lentamente está a aparecer e à qual não estamos adaptados.

Agora é a primeira vez na história que nos temos de adaptar a nós mesmos aos laços que aparecem entre nós. Anteriormente, construíamos conexões egoístas entre nós como nos apetecia. Mas agora devemos trabalhar pelo contrário. A rede emergente está a “dizer-nos”: “Vocês têm de se ajustar a mim, ou não terão sucesso”.

Moisés encorajou o povo de Israel a ser valente pois o Criador estava com eles. De onde pode vir tamanha confiança? É porque marchamos para uma situação muito má?

É confiança. Não é uma situação má; isso depende de como olhas para ela. Olhando para o que aparece diante de nós, podemos ver que é salvação. Estamos a ser apresentados a um exemplo belo, uma oportunidade de nos conectarmos a todos. As reações negativas que todos sentimos, o sofrimento, mutilação, problemas e confusão, são para que tentemos nos direcionar corretamente através delas e nos tentemos adaptar às nossas recentemente formadas conexões.

Estas novas conexões são o Próprio Criador; é a qualidade de doação a aparecer entre nós. É claro que a odiamos e a rejeitamos. Não a compreendemos, mas é Ele. Isto é chamado “a revelação do Criador às criaturas”. Estes são realmente os dias do Messias, quando a luz gradualmente aparece, uma luz de doação nos atraindo de nossos egos para cima.

Mas se uma pessoa não tem ponto no coração, você consegue falar com ela antes dela sofrer?

Não, não consegue.

Que confiança podemos prometer? Podemos lhe dizer, “Espere, sofra um pouco mais e então conversamos”?

Não. É claro que ela deve sofrer, mas é aqui que a sabedoria da Cabala aparece em prol de explicar a razão para o sofrimento. Precisamos sofrer muito pouco, como crianças inteligentes que entendem e caminham na direção certa após a primeira pista.

Nosso calendário garante que alcançaremos todas as correções e abundância no fim dos seis mil anos. A questão é, “Quanto sofreremos no caminho? ” Podemos abreviar estes tempos nós mesmos e não esperar outros 220 anos ou assim, mas em vez disso o conseguir nas nossas presentes vidas.

O fim da porção fala de Moisés ser ordenado a escrever um cântico, para preparar Israel para algo que os recordará da meta. O que há de tão especial no cântico?

O cântico é para o futuro, caso Israel peque. Não é como as canções que conhecemos hoje, mas uma conexão especial entre nós e a força superior de correção. É um sistema de conexões pelo qual evocamos no interior o poder da correção.

Até quando pecamos, podemos estar certos que o mecanismo que Moisés construiu em nós nos ajudará. Moisés é a força de doação dentro de nós. Ela está absolutamente limpa de recepção e regressamos a ela quando pecamos para que ela nos ajude a nos reformarmos.

Não há conexão que se pareça entre estes cânticos e as canções de que hoje falamos, com ritmos e melodias?

É claro que não há conexão entre esta canção e aquelas com ritmos e melodias. A canção de que falamos é como um livro. Um livro é divulgação, um Meguilá (pergaminho, da palavra Gilui, divulgação).

Então é um mecanismo espiritual, como O Cântico dos Cânticos. Uma peça musical verdadeiramente tem algo nela e uma canção evoca emoções.

Claramente, nós temos expressões emocionais em diferentes níveis. Contudo, aqui falamos de um mecanismo especial, tal como o Rei David, que escreveu os Salmos, Salomão, que escreveu O Cântico dos Cânticos, ou Moisés, que escreveu o cântico de que falamos aqui. Isso diz respeito a escrever sobre um mecanismo especial de conexão que ajuda os próximos graus que caem no pecado a subirem novamente.

Nós lemos os Salmos, ou O Cântico dos Cânticos, ou o cântico de Moisés quando quer que precisemos levar algo nas nossas mãos, confiar em alguma coisa e assim avançar.

O Criador ordenou Israel a lê-la em cada sete anos, assim que tivessem entrado na terra de Israel. Sete anos marca um grau completo: Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod, Yessód, Malchut.

Assim que estejamos na terra de Israel e nos unamos, ainda assim pecaremos?

Sim, sem dúvida. Desde o princípio da porção, nos é dito, “Não tenham medo de entrar; haverá guerras aqui, mas serão salvos”.

As guerras de Israel são somente guerras com nossos desejos. Não é a terra de Israel, onde temos de conquistar sete nações, mas nossas sete Klipot (cascas), opostas às sete qualidades espirituais puras. A guerra é com nossa própria vontade de receber, que é egoísta e é chamada uma Klipá (casca). É a inclinação ao mal que corrigimos e assim alcançamos a conquista da terra, enquanto o desejo se transforma em doação, em amor pelos outros.

A Torá inteira é “Ama teu próximo como a ti mesmo”. É isto que temos de alcançar. Deste modo, o sistema que aparece diante de nós nos obrigará a o fazer, quer queiramos quer não. A menos que alcancemos a união com o mundo inteiro, ao ponto de amarmos toda e cada pessoa no mundo, não seremos capazes de continuar; não teremos pão.

Quando se torna um livre?

Quando ele decidir, “Eu não quero fazer o que vem do interior, seguindo todos os tipos de traços, reações e impulsos”. Primeiro, ele precisa testar o versículo, “Deste modo escolhei a vida”. É verdadeiramente pela vida eterna espiritual? Se sim, ele segue-a. Se não, então não segue. Este é o seu ponto de independência.

 

Termos

A Entrega da Torá

A força ao nosso redor, que atraímos, é chamada a “luz” que reforma nossa inclinação ao mal. Se a queremos, ela está pronta e podemos usá-la.

Outros Deuses

Deus é o governante do homem. Uma pessoa serve outros deuses quando ela serve o seu próprio ego. Tal pessoa mantém o que ele ou ela diz sem quer pensar sobre isso. Nós somos servos tão leais que nem sequer pensamos que temos um mestre, outro deus, nos dizendo do interior o que devemos fazer.

Confiança

Esta é uma iluminação especial que vem até nós. Com ela, podemos avançar contra nossa natureza e permanecer confiantes que teremos sucesso. Hazon Ish escreveu no seu livro, Fé e Confiança, que é uma “sutil inclinação da sutileza da alma”.

Arrependimento

Teshuvá (Arrependimento) vem do versículo, Táshuv Váv legabei Hey (Deixai a Váv regressar à Hey) *, que significa elevar Malchut a Biná e assim chegar a um estado onde a totalidade da vontade de receber deseja doar.

* Zohar para Todos, Mishpátim (Ordenanças), item 237.

Ki Tavô (Quando Vindes)

Do livro “Divulgando Uma Porção”

(Deuteronômio, 26:1-29:8)

 

Sumário da Porção

A porção, Ki Tavô (Quando Vindes), começa com a última parte do discurso de Moisés diante do povo antes de sua morte. Aquando da entrada na terra de Israel, Moisés ordena ao povo para escrever as palavras em grandes pedras caiadas e para construir delas um altar para o Criador.

Moisés descreve a bênção que virá a Israel se eles mantiverem as Mitzvot (mandamentos) e as maldições que virão até eles se não o fizerem. Ele descreve o estado da bênção e a maldição em Monte Ebal e no Monte Gerizim: quem se encontrará em cada lado, o que são maldições e o que são bênçãos e como devem ser faladas.

A porção também lida com as Mitzvot do primeiro fruto e as leis de dízimo. No fim da porção, Moisés resume os eventos através dos quais o povo atravessou, a ajuda do Criador em cada passo e o compromisso do povo de manter as Mitzvot.

 

Comentário

Nossas almas consistem de 613 Mitzvot (mandamentos). Inicialmente, elas eram todas como a inclinação ao mal, ou seja, visando nos beneficiarmos a nós mesmos. Em cada um de nossos desejos aparece – na melhor das hipóteses – preocupação por nós mesmos. Na pior das hipóteses aparece como mentimos, roubamos e usamos os outros para nosso próprio benefício.

Até se não usarmos os outros, ainda assim sentimos que quanto pior eles passem, melhor nós estamos, somos feitos para nos compararmos aos outros.

E, todavia, não há ninguém a quem nos queixarmos acerca disso pois o Criador admite, “Eu criei a inclinação ao mal”. Este é um processo que começou no Egito, onde recebemos a grande inclinação ao mal, a vontade de receber.

A descobrimos no Monte Sinai, onde concordámos ser “como um homem com um coração”, nos conectarmos. Embora estivéssemos perto de uma montanha de ódio, nos unimos ao redor da montanha e exprimimos nossa vontade de nos unirmos. Embora fossemos incapazes de o atualizar, estávamos preparados para isso. Isso foi suficiente para receber a força da correção chamada “Torá”, cuja luz reforma.

Durante o processo conhecido como “quarenta anos no deserto”, a maioria da Torá – que narra principalmente o que aconteceu no deserto, nos preparámos, nos corrigimos e descobrimos nossa natureza cada vez de novo. Descobrimos quão ímpios nós somos, nos envolvemos em problemas, cometemos pecados e fomos repetidamente punidos por eles.

O processo que atravessamos no deserto nos qualificou para a correção de nossos Kelim, a correção de nossos desejos da recepção para a doação, das intenções de nos beneficiarmos a intenções de beneficiar os outros. A correção toma lugar através de sofrimento vindo do alto, ou através de entendimento de como nos corrigirmos. Deste modo, alcançamos um estado chamado “a terra de Israel”, na qual estamos mais ou menos prontos para transformar nossos desejos de nos beneficiarmos para beneficiar os outros.

No princípio do deserto, pelo Monte Sinai, nós corrigimos todos os nossos 613 desejos dos quais nossas almas corruptas consistem, tendo sido criadas desta maneira, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. Alcançamos um estado onde não desejamos prejudicar os outros, que é chamado “passar pelo deserto”. Agora, precisamente antes da entrada na terra de Israel, devemos corrigir nossos desejos para que com eles façamos o bem aos outros.

A obra do deserto é “Aquilo que odeias, não faças ao teu próximo”. A intenção de favorecer os outros é chamada “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Esta é a próxima fase, a conquista da terra e a obra na terra de Israel. Este é nosso trabalho, nossa correção, de direcionar nossos desejos de nós mesmos para os outros.

Foi por isso que nos foi dada a Torá, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu criei para ela a Torá como tempero”. Se um assumir este trabalho, isto é chamado “estudar Torá”, “servir o Criador”. É assim que realizamos nossa correção. Se fizermos isto aqui e agora, nas nossas vidas neste mundo, levando a cabo estas duas fases na obra, estes dois graus, atravessaremos o deserto, alcançando a terra de Israel e alcançaremos o fim da correção.

Quanto mais avançamos pelo deserto para a entrada da terra de Israel, mais podemos ver quanto nossa exigência pela correção se torna mais focada, mais concreta, mais prática e clara. Assim, isso pode ser explicado em termos práticos a qualquer pessoa que avance e se corrija a si mesmo para o amor pelos outros.

É por isso que a porção fala de pedras, a construção de Malchut e Biná e a conexão entre esses dois graus – a bênção e a maldição. A Malchut por corrigir é a maldição e o grau corrigido de Biná, ao qual Malchut se junta, é a bênção. Elas encontram-se como duas montanhas diante de uma pessoa que as usa e a pessoa que se encontra entre a bênção e a maldição. Logo, nós nos encontramos entre essas duas linhas, nos edificando como a linha do meio e esta é a estrutura da alma corrigida.

A porção fala de pedras, de construir o altar. A palavra, Evén (pedra), vem da palavra Chavaná (entendimento). Uma pedra é o grau de Biná. Precisamos avançar acima da razão, acima do nosso entendimento. Nos elevamos acima dele e verdadeiramente adquirimos uma verdadeira mente e coração Divinos, acima da nossa natureza. A partir da consciência nesta nova realização, escrevemos nas pedras, em Malchut, que é uma pedra, nosso coração de pedra. Embora o coração não deseje ser corrigido, gradualmente o trazemos a correções e construímos com ele o altar.

A porção fala do dizimo, da décima parte, que é a própria Malchut, a décima Sefirá que se edifica a si mesma de acordo com o que ela recebe, ou não recebe. A porção também lida com a questão da circuncisão, que detalha quanto podemos ou não podemos usar cada desejo em favor dos outros, o que podemos fazer com a parte que não podemos corrigir e como a usar em favor dos outros, embora ela ainda não esteja corrigida. A porção explica como continuamos a aparentemente a corrigir.

 

Perguntas e Respostas

Falamos de um processo de reconhecimento do mal no Egito, a entrada para o deserto e a terra de Israel. Hoje o povo de Israel já está na terra de Israel, mas parece que ainda não entrámos no Egito. Há uma grande diferença entre o que está a acontecer em Israel e onde é suposto estarmos. Como pode você explicar esta diferença?

Hoje estamos em uma situação diferente, que é o porquê de não precisarmos de atravessar todos esses graus. Com “nós”, pretendo dizer o grupo que se reuniu e se conectou a Abraão, que saiu da Babilônia e saiu para a terra de Canaã e de Canaã – depois dos graus de Isaac e Jacó – foi para o Egito.

“Egito” significa que adquirimos nossa grande vontade de receber egoísta, da qual quisemos escapar pois ela era muito má para nós. Tudo o que é negativo nas nossas vidas vem até nós porque somos egoístas, porque odiamos todos e não o conseguimos evitar. Trazemos estes estados sobre nós mesmos, embora nos arrependamos de sermos puxados para estas situações miseráveis e inúteis. Deste modo na realidade “acabamos” com nós próprios, desperdiçando nossas vidas em um grau inferior e animal, incapazes de subir a um nível mais alto.

Inicialmente, nos esforçamos por algo eterno e perfeito, mas a vida neste mundo conduz-nos para uma vida no nível animal. É difícil para nós viver como um animal, então seguramo-nos à esperança de que a vida continue no próximo mundo. Se estivéssemos certos que não haveria continuidade, seríamos incapazes de continuar a viver neste mundo pois isso tornaria nossas vidas completamente insignificantes. É por isso que tantas pessoas acreditam no mundo vindouro, no além.

As encarnações que atravessámos nos deram o entendimento e o reconhecimento. Elas deram-nos o impulso para escapar ao Egito quando desejamos obter a doação, Divindade e uma elevação de nossas vidas. Já atravessámos todas as fases de escrutínio e correção e decidimos que devemos sair de nossos egos. Queremos elevar-nos e avançar para outra dimensão da vida.

A realidade na qual vivemos pode ser uma de recepção para nós mesmos, como a sentimos agora enquanto estamos imersos em receber mais e mais. Contudo, há outra realidade, onde não absorvemos para dentro, mas em vez disso saímos de nós mesmos e transcendemos o grau animal onde estamos em um corpo material para que possamos perceber o que existe fora de nós.

Este é um método especial, chamado “a sabedoria da Cabala” e devemos aprender como agir de acordo com ela, como perceber a realidade extracorpórea. Ainda não o compreendemos, que é o porquê de ser chamado o “mundo oculto”, o “método oculto”, ou “o método da oculta”. É uma instrução especial dada somente a aqueles que desejam verdadeiramente sair deles mesmos e começar a sentir a realidade fora deles, que é completa doação sobre os outros e amor pelos outros. Esta realidade é completamente oposta daquela que conhecemos hoje, onde damos somente a nós mesmos e nos amamos somente a nós mesmos, desejando receber para nós mesmos e nos preocupando com o que nos pertence.

Alcançar esta transição requer um processo; este processo é descrito aqui?

Isso requer um processo de transição. É por isso que somos chamados “Hebreus”, da palavra Avár (passar sobre, atravessar). Nosso inteiro trabalho é atravessar.

Em que fase se encontra agora esse processo? Onde estão o povo de Israel hoje em relação a este processo?

Nós atravessámos; passámos pelo deserto. A correção foi inicialmente feita ao sair do ego. Isto é chamado “atravessar o deserto e entrar na terra de Israel”. Isto é, em vez de receber, começámos a doar. Assim fizemos enquanto pequeno país e pequena nação que saiu da Babilônia.

Contudo, para corrigir o resto dos Babilônicos, nós tivemos de ser quebrados e atravessar a ruína do Templo, ou seja, reentrar no ego, a vontade de receber e sermos dispersos entre as nações. As dez tribos se espalharam e hoje não fazemos ideia de onde elas estão, mas elas estão misturadas entre todas as nações e fazem seu trabalho, tal como nós, que agora regressamos à terra de Israel.

Algo especial está aqui a acontecer, algo de que os Cabalistas falaram. Estamos a regressar, não em prol de viver em Telavive, ou em certa outra cidade, mas para atravessar as fases de subir do exílio, do Egito, através do deserto, para a verdadeira terra de Israel. Nós e o mundo inteiro estamos agora nestas fases.

O que está a acontecer no mundo hoje assemelha-se ao tempo dos Faraós. Está escrito que Faraó aproximou Israel do Criador.* Ele os afligiu, os tratou mal e os jogou para longe para que fugissem do Egito. Foi assim que o Criador trabalhou através de Faraó. Faraó é na realidade o leal servo do Criador, o servo da força superior. Hoje, estamos a sentir que estas forças nos estão a afetar e ao mundo inteiro. Elas são verdadeiramente como Faraó, nos pressionando e não temos para onde fugir.

A presente crise está a colocar-nos em uma situação que não conseguimos superar ou corrigir como costumávamos. Também não conseguimos escapar de país para país. Nenhum lugar é pior ou melhor porque a crise está a acontecer em todo o lugar ao mesmo tempo, muito clara e rapidamente, então o caminho para cima é, “E os filhos de Israel suspiraram da obra” (Êxodo 2:23).

Nós estamos no mesmo grupo que já atravessou este processo. Transportamos conosco Reshimô (recordações) e genes dos estados anteriores. Devemos ser “uma luz para as nações” tão rápido quanto o possível. Por esta razão, a pressão sobre nós só vai aumentar, ainda mais que com todos os outros. Quanto mais rápido a passarmos ao mundo, gritando o maior grito, mais nos pouparemos a nós mesmos e ao mundo de sofrer. Nosso bom futuro depende inteiramente da luta com nós mesmos, com nossa inclinação ao mal, com o mundo que não quer escutar, mas especialmente com o povo de Israel que não quer escutar. Isso chama-se a “Guerra de Gog uMagog”.

E a bênção e a maldição? O que é esse mecanismo?

Estas são as duas forças pelas quais o homem avança.

Isso é obra do Criador?

É claro que o Criador o faz. Desde o início, Ele diz, “Eu criei a inclinação ao mal”, ou seja, que Ele o admite. Nossa inteira evolução é avançar através do “chicote” por trás de nós, repetidamente descendo sobre nós e nos atraindo da frente, enquanto nós não temos escolha senão fugir na frente e avançar ao seu ritmo.

Se queremos avançar ao ritmo do chicote, isso é chamado “a seu tempo”. Deste modo, avançamos através de golpes. Mas se queremos avançar mais rápido que os golpes para que eles não nos toquem, precisamos nos mover um pouco mais rápido, como em “Eu o acelerarei”, ou seja que precisamos apressar o tempo, como está escrito que Israel santificam os tempos, os tornando mais curtos. **

Em outras palavras, há duas opções desde o começo.

Sim. Uma opção é através da maldição. Esta é também uma correção pois golpes são correções. A outra opção é através da bênção, quando somos atraídos para a frente.

Aprendemos que precisamos incluir todos nossos desejos, então o que aconteceu no Monte Sinai, quando o povo concordou ser como um homem com um coração?

Não há necessidade de mais que isso. Nós recebemos tudo o resto. É claro, há imenso trabalho que deve ser feito, mas nós recebemos ajuda, apoio, uma instrução chamada “Torá”, uma força que é Moshé (Moisés), que Moshéch (puxa-nos) mais rápido para a frente e assim previne os golpes que nos alcançarem.

No geral, a Torá fala de coisas que atravessamos contra nossa vontade. Ela não diz que podemos atravessar tudo de uma maneira boa e agradável; ela só aponta para os obstáculos na frente, como um livro de instruções que marca obstáculos, problemas, transgressões e assim por diante. Se atravessarmos o caminho de acordo com nossa natureza sem avançar usando o livro de instruções, sofreremos maldições. Este é nosso caminho: há maldições nele, punições e problemas, pois somos um “povo obstinado”***, como vimos durante a estrada no deserto. A Torá não toma em consideração que nos possamos apressar mais rápido que o chicote que nos bate.

É nossa escolha somente se atravessamos o processo favorável ou desfavoravelmente?

Nossa escolha é somente correr na frente para o bem, para a doação e amor.

E não podemos mudar o plano geral?

Não, mas podemos experimentá-lo diferentemente, de uma maneira favorável e desejável, sentindo- o como boa vida. É como uma criança que não quer ir para a escola, então ela sente tudo como pressão, golpes e sofrimento, como uma vida dura.

De O Zohar: Conhecei Este Dia e Respondei com Vosso Coração

“Coração com dupla Bet significa que a boa inclinação e a inclinação ao mal, que residem no coração, se misturaram uma na outra e elas são uma. “E vós amareis o Senhor vosso Deus com todo vosso coração” significa com ambas vossas inclinações – a inclinação boa e a inclinação má, para que as qualidades da má inclinação se tornem boas, ou seja que ele servirá o Senhor com elas e não pecará através delas. Então certamente não haverá diferença entre a boa inclinação e a má inclinação e elas serão uma”. Zohar para Todos, VaErá (E Eu Apareci), item 90

Se o Monte Gerizim se encontra oposto ao Monte Ebal, eles são aparentemente bom e mau, então certamente escolheremos o bom. Nesse caso, onde está a escolha?

O problema é que há ocultação. Se soubermos o que é bom e o que é mau, não há escolha aqui. Por natureza, somos atraídos para o bom e evitamos o mau. Mas se há ocultação, não sabemos qual é mau e qual é bom. Se um lhe der uma bênção ou uma maldição, isso não significa que de um canto temos alguém que lhe vai bater e no outro canto se encontra alguém que lhe fará bolos. Se fosse esse o caso, seria óbvio para onde você iria porque não há escolha aqui. Mas deste modo, você seria como um fantoche com cordéis, não um ser humano.

Um ser humano é aquele que se elevou acima da sua besta, que não é atraído para o bom que parece um bolo, nem corre do mau onde se encontra uma maldição. Em vez disso, tal pessoa se testa a si mesma em relação à verdade e falsidade. É possível que o que parece uma maldição na realidade seja a verdade e o que parece um bolo seja a mentira. Precisamos nos elevar acima do bem e mal que nos aparecem como “pressentimentos”. Precisamos nos elevar acima de nós mesmos de acordo com nossa consciência ao sermos atraídos para a verdade e não para a falsidade. Este é o escrutínio que é muito difícil para nós fazermos.

O que é a verdade e o que é uma mentira?

A verdade é o ponto, um grau chamado “Homem”, que é semelhante a Elokim (Deus), onde Ele é o padrão, o lugar mais alto que precisamos alcançar e que inclui todas as coisas. Precisamos chegar a um estado que é para nós tanto verdade como falsidade, bom e mau, onde tudo se conecta em um lugar, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu criei para ela a Torá como tempero”. É um lugar onde todos os começos se conectam, como está escrito, “Todos meus pensamentos estão em Vós” (Salmos 87:7).

Porque está então construído desta maneira, com todas as condições e ocultações?

É para que dê às pessoas uma chance de escolherem. Inversamente, seríamos como máquinas.

Mas as pessoas não se preocupam nem se querem preocupar. Elas não escolhem de qualquer modo, então ao menos deviam ter uma boa vida.

Não, todo o propósito da Criação é nos tornar em seres humanos. Aqueles que escolhem independentemente do bem ou mal se elevam si mesmos acima do escrutínio corpóreo.

Se o Criador é benevolente, porque Ele nos atrai em um caminho que não é fácil, que na maioria do tempo não é claro de quão bom ele é realmente?

Assumamos que uma pessoa liga o seu aspirador e sai fora de sua casa, enquanto o aspirador limpa as carpetes. É assim que parecemos hoje e parece que queremos permanecer desse modo, andando por aí como o aspirador, como robôs esbarrando em  uma  esquina  e  nos  voltando  para  a outra. Gostaríamos de ter este mecanismo que nos direciona constantemente na vida deste modo? Se  assim  for,  onde  está  o  humano  aqui?  Nós  não  somos;  o  sentimos  somente  como        se estivéssemos vivos, deixando cada dia passar até que morremos, desde que não soframos.

O propósito do Criador é precisamente nos mostrar o desafio mais sublime contra o sofrimento, a dificuldade e apesar dos problemas que experimentamos. Nosso mundo avança para uma situação sem escolha, para uma crise que não conseguimos remendar e da qual não conseguimos sair ou sobreviver. Ora assumimos sobre nós mesmos a obra de sermos humanos, ou seremos forçados para essa posição contra nossa vontade.

“Contra nossa vontade” significa que isso será feito através de golpes até que digamos, “Nós queremos”. Deste modo, devemos aprender a concordar com a obra que nos foi atribuída para fazer e então a bondade imediatamente será aberta para nós.

 

 

Termos

Primeiro Fruto

Quando a vontade de receber cresce, a trazemos à correção, ao escrutínio. Esse desejo é chamado

“primeiro fruto”.

Dizimo

A décima parte, dez por cento, que não pode ser corrigido. Malchut é a décima Sefirá na estrutura de nossa alma. Ela não pode ser corrigida pois ela é a vontade de receber. Ela deve em vez disso ser misturada com as primeiras nove qualidades de doação e é assim que é corrigida.

Porque é impossível corrigir a vontade de receber em si mesma, nós damos um dizimo no seu lugar. Simplesmente não trabalhamos com a parte que não pode ser corrigida. Em vez disso, a entregamos à doação para que seja corrigida por si mesma. Posteriormente, no fim da correção, ela será corrigida.

Altar

Um “altar” é o lugar onde a correção é feita, o contato com a luz superior.

Bênção

Uma “bênção” é a força que recebemos do alto em prol de realizar ações de doação para os outros. Esta força vem depois de nos prepararmos para ela, quando verdadeiramente queremos realizar ações de doação no alto, independentemente do que tenhamos. Quando isso acontece, uma força superior vem até nós, que é chamada “receber uma bênção”. Uma bênção é a Ór Chozêr (Luz Refletida) que ativamos, uma força do alto.

Bênção versus maldição: uma “maldição”, na sua mais simples forma, indica que uma pessoa não pede e não recebe a força superior. Por outro lado, uma “bênção” é a recepção de poder do alto em prol de realizar uma ação com a direção de doar sobre os outros, onde descobrimos que somos semelhantes ao Criador e assim nos sentimos.

O que é, “Com a Ajuda de Deus”?

Tudo o que temos é a ajuda de Deus. Podemos fazer qualquer coisa; nossas ações não são difíceis. A dificuldade está somente em chegar a um estado de exigir do Criador para a fazer por nós e então ela é imediatamente feita. É por isso que tudo é fácil.

Tudo o que precisamos é entrar em contato com Ele e então fazer tudo com Sua ajuda, a ajuda da força superior, a luz superior. Quando ela vem, ela escrutina todos os detalhes em nós, todos os desejos, nos dando a força e nos corrigindo. É assim que descobrimos que somos verdadeiramente “Vós me haveis cercado de trás e da frente” (Salmos, 139:5) e que Ele faz tudo por nós.

Escolha

A escolha é ver que na verdade, o homem não é o operador, mas o Criador. O homem precisa somente de exigir Dele, como está escrito, “Meus filhos me derrotaram”****. Ao O comprometer, “Vós nos haveis feito, ajudai-nos e fazei-o sobre nós”, alcançamos um mundo perfeito.

O sentido do termo “mundo perfeito” é que em todos nossos 613 desejos, que foram corrigidos, tivemos uma parte, também – nós pedimos que eles fossem corrigidos. É por isso que vemos o mundo como perfeito, espiritual e eterno.

De O Zohar: Eu vos trarei, Eu vos libertarei, Eu vos redimirei, Eu vos levarei

“Primeiro, está escrito, ‘E Eu vos trarei de debaixo dos fardos dos Egípcios’, e então, ‘E Eu         vos libertarei do cativeiro’. E posteriormente, ‘E Eu vos redimirei’. Não deveria Ele ter dito primeiro, ‘E Eu vos redimirei’, e então, ‘E Eu vos trarei’? Certamente, Ele primeiro disse o mais importante, uma vez que o Criador desejou primeiro lhes dizer o mais belo – o êxodo do Egito”. Mas “O mais belo de tudo é, ‘E Eu vos levarei para MIM como povo e Eu serei para vós como um Deus’”. Zohar para Todos, VaErá (E Eu Apareci), item 52-53


* “E Faraó se aproximou e os filhos de Israel olharam, e eis, os Egípcios marchavam atrás deles e eles ficaram muito assustados; então os filhos de Israel gritaram para o Senhor” (Êxodo, 14:10).

** Maséchet Berachot, 49a.

*** Êxodo, 32:9.

**** Maséchet Bába Metziá, 59b.

Ki Tetzé (Quando Ides)

Do livro “Divulgando Uma Porção”

(Deuteronômio, 21:10-25:19)

 

Sumário da Porção

A porção, Ki Tetzé (Quando Ides), detalha Mitzvot (mandamentos) especiais e pouco frequentes, tais como a atitude para um filho rebelde, o primogênito de um amado ou de um odiado e o mandamento para enviar um pássaro do ninho e não o magoar quando retirando os ovos do pássaro ou crias.

A porção também detalha muitas Mitzvot que lidam com a vida do dia-a-dia, ética e ordem social, tais como uma perda, divórcio e a obrigação para ter consideração pelos outros em situações vulneráveis, tais como os pobres, prosélitos, órfãos e viúvas. Adicionalmente, a porção menciona a importância de uma justa sentença. O último Mitzvá (singular de Mitzvot) é de sempre nos recordarmos do que Amaleque fez a Israel quando eles saíram do Egito, quando ele os assaltou e eles não estavam preparados e de apagar a memória de Amaleque.

 

Comentário

A porção marca uma fase no desenvolvimento espiritual depois da recepção do ego, a recepção da inclinação ao maldo Egito. Primeiro, a inclinação ao mal em nós deve aparecer, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. Essa aparição acontece quando tentamos alcançar amor pelos outros, sair de nós mesmos. Quando o tentarmos fazer, descobrimos quanto estamos na realidade imersos no ódio pelos outros e nosso amor por nós mesmos é aquilo que é chamado a “inclinação ao mal.

Essa revelação é trabalho interno profundo. Ela não é pequena tarefa. Há uma razão muito boa porque está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. “Eu criei” significa que o Criador criou. O reconhecimento da inclinação ao malem nós – ódio pelos outros e amor por nós próprios – é precisamente o que nos traz em contato com o Criador. Desse reconhecimento, marchamos em um caminho de trabalho duro, tentando ser bons para os outros, como está escrito, “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Então descobrimos grandes obstáculos internos, que na realidade vêm do alto, do Criador. Este é o primeiro contato do homem com o Criador.

Depois do contato inicial com o Criador, começamos a avançar junto com Ele em parceria. É então que há, “Eu criei a Torá como tempero”, e temos alguém para quem nos voltarmos, alguém para nos ajudar a nos corrigirmos.

É precisamente através da inclinação ao mal que fazemos contato com o Criador. A inclinação ao mal é o mediador, quem conecta o homem e o Criador. Esta é a única razão pela qual precisaríamos dela. Podemos levar uma vida  inteira  sem  precisar  de  coisa  alguma  até  que tentemos nutrir amor pelos outros e então vemos quão impossível isso é.

Algumas pessoas reconhecem o mérito do amor pelos outros a partir dos seus próprios sentimentos. Este é um impulso por algo espiritual, de descobrir o sentido da vida, seu propósito e sua essência. Outras alcançam o amor pelos outros através de sofrimento, desespero com a vida, ou uma crise geral, como agora vemos pelo mundo fora. Estas pessoas procuram um meio de fugir à praga na qual se encontram e descobrem que o mundo se tornou global, integral e que a única escolha que têm é se conectar com os outros de maneira recíproca, ou podem passar fome no dia seguinte.

Este fato está a tornar-se cada vez mais evidente. Algumas pessoas o descobrem através de um impulso interno e algumas são empurradas para isso pelo sofrimento. Mas mais cedo ou mais tarde, todos nós teremos de nos conectar aos outros em garantia mútua, até se somente para obter nossa alimentação.

Estamos a descobrir que a conexão é impossível porque nossa natureza nos está a prevenir de nos conectarmos aos outros, como se nos estivesse a falhar. Começamos a reconhecer que há uma governança superior aqui, que o Criador, a força superior, não nos está a deixar fazer alguma coisa. Nessa altura, nós os três – nós, nossa inclinação ao male o Criador – começamos a trabalhar juntos, tal como Moisés no Egito.

Está escrito, “Vinde ao Faraó; pois Eu endureci seu coração” (Êxodo 10:1). Moisés, o Criador e Faraó todos trabalham juntos em nós. É assim que avançamos. Discernimos a inclinação ao mal, a ajuda feita contra nós e não temos escolha pois com sua ajuda, nos voltamos para o Criador. Não fosse a inclinação ao mal, nunca nos voltaríamos para o Criador, nunca O descobriríamos e nunca precisaríamos Dele.

Avançamos através de correções feitas sobre nossa inclinação ao mal enquanto cada vez mais nos conectando através dela com o Criador. Quanto mais anexos nos tornamos à força geral de doação e amor que governa o mundo, até se oculta, mais nos tornamos expostos a ela e a atribuímos a nós mesmos. Aprendemos a usar nossa inclinação ao male eventual e alegremente abdicamos dela pois ela foi criada em prol de nós a obliterarmos.

Nesta porção alcançamos um nível maior de Aviut (densidade) da inclinação ao mal, expressa nos citados Mitzvot especiais. Um Mitzvá é uma correção da inclinação ao mal. Nossa inclinação ao mal está dividida em 613 desejos egoístas que devemos corrigir em terem a direção de doar sobre os outros, em amor pelos outros. Nesta porção, lidamos com os maiores, mais maus e pesados desejos. Embora pareça que encontramos estes desejos só raramente, assim que tenhamos feito correções mais leves, chegamos a encontrar a inclinação ao malem nós que requer este tipo de correção.

Sucede-se que o Mitzvá a respeito do filho rebelde, o envio do pássaro e apagar Amaleque são as mais duras Mitzvot. Esse é verdadeiramente nosso coração de pedra, a base de todo o mal. Isto forma nosso contato final na nossa conexão eterna com o Criador, quando Homem e o Criador se conectam juntos: “Israel, a Torá e o Criador são um” (O Livro do Zohar, Beresheet (Gênese), Item 85). Isto é exprimido em amor absoluto para os outros; como vem do Criador, também ele vem da criatura. Esta é a meta.

 

Perguntas e Respostas

O que significa, um filho rebelde?

Ben (filho) vem da palavra, Mévin (entendimento). Fazemos coisas sem reconhecer, entender ou as sentirmos. Devemos corrigir nossos egos – a vontade de receber que é exprimida precisamente entre nós e os outros – inconscientemente, sem bem saber a natureza dessa correção. Não sabemos o que significa doar ou não doar e só reparamos que não temos boas conexões com os outros e que ódio e rejeição impedem nosso progresso na espiritualidade e corporeidade.

Vemos que nossas vidas são bastante miseráveis e não fazemos ideia do que pode acontecer amanhã, o que nos traz à necessidade de corrigir nossos relacionamentos com os outros. Quando corrigimos os relacionamentos entre nós, fazemos algo que está acima da nossa razão, até contra ela, pois por Natureza, não temos qualquer desejo por isso: Pedimos a correção contra nossa vontade.

Estamos dispostos a amar os outros, embora não sintamos a necessidade para isso. Esta obra é chamada “trabalho acima da razão”, quando não entendemos o que estamos a fazer ou o que está acontecendo. Quando trabalhamos contra nossa vontade, isso é considerado alcançar entendimento pois assim que nos corrigimos, uma nova realidade verdadeiramente se abre para nós, onde podemos ver e sentir em todos os nossos sentidos, nas nossas mentes e nos nossos corações. Esse grau é chamado Ben (filho), Mévin (entendimento), pois então entendemos a situação, a sentimos e controlamos.

Então o que significa um filho “rebelde”?

É uma situação na qual nós não queremos conhecer o nosso próximo grau e não queremos nos corrigir a nós mesmos. Ela acontece quando há algo por dentro que resiste à conexão tão ferozmente que não conseguimos superar essa rejeição. Por vezes há filhos que são obstinados, o que que façamos. Por um lado, ele é nosso filho. Por outro lado, não há nada que consigamos fazer com ele. Nesse estado, o filho precisa ser trazido à correção do modo que a Torá descreve.

Estas são correções que precisamos fazer pois tudo está por dentro. A certa medida, elas acontecem em cada estado, chamadas “A dor de criar filhos”.

Hoje, é muito difícil para os pais e filhos comunicarem e o mesmo é verdade para professores e estudantes. Há uma grande fenda entre eles.

Sim, especialmente hoje pois nos aproximamos da geração da correção. Começamos a descobrir nossa verdadeira natureza, que é verdadeiramente uma inclinação ao mal. A vemos dentro de nós quando descobrimos quão cruéis e sem consideração nós somos. É difícil dar-nos com nós mesmos, para não falar de nossos parceiros, nossos filhos e em geral.

É isto o que somos hoje. Contudo, não é culpa nossa; é nossa natureza, que aparece desta maneira. Sentimos nos nossos filhos, também. Mas são precisamente estas condições que nos trazem à correção. Isto é chamado “Faraó aproximarem os filhos de Israel para mais perto do Criador”. Nossa inclinação ao mal ajuda-nos a reconhecer que não é mais possível continuar sem colocar as coisas na ordem adequada.

Esta porção menciona divórcio. Hoje, o número de divórcios aproxima-se do número de casamentos.

Ele superou-o. Na Europa, cinquenta e sete por cento das pessoas são divorciadas e também se está a espalhar nos EUA.

Podemos nós fazer trabalho espiritual com uma esposa?

Não podemos corrigir o mundo sem nos corrigirmos. Se queremos casar e ter uma família verdadeiramente boa e sólida, precisamos zelar pela correção dos casais. Mas primeiro, nós mesmos precisamos ser corrigidos.

Hoje, é quase desesperante. É impossível se cometer ao matrimónio pois é um contrato onde o noivo se compromete diante da noiva e hoje é muito difícil se comprometer. Nestes dias, os homens podem-se comprometer somente se estiverem sob pressão social de certos círculos na sociedade.

Parece que com uma esposa, é mais fácil se corrigir pois as pessoas ficam hesitantes de abandonar suas famílias. É este um lugar verdadeiramente bom para trabalhar?

Nós construímos muitos sistemas que nos ajudam a lidar sem uma família.  Nós  temos  Segurança Social, seguros de saúde, lares da terceira-idade, etc. O dinheiro compra tudo e as pessoas conseguem passar sem o calor da família pois eles aparentemente o conseguem comprar.

Hoje, estamos a avançar para um mundo que é de longe mais complicado, onde o dinheiro não nos ajudará. Estamos em uma crise económica que exige que nos conectemos de uma maneira amigável com o meio ambiente, com amigos, com a família, com crianças e com os pais. Não temos tudo isso e esta é a revelação do mal que nos ajudará a empurrar-nos para corrigir nossos relacionamentos, corrigir a natureza humana. Eventualmente chegaremos a um estado onde nos sentiremos perdidos sem uma família e até agora, não temos família pois perdemos o conceito da família no percurso.

O que é o divórcio, na espiritualidade?

“Divórcio” significa que não podemos mais corrigir nossa Malchut, a vontade de receber e deste modo não assinamos um contrato com esse desejo pois, enquanto homens, não conseguimos colocar-nos sobre a mulher, sobre o desejo que deve ser corrigido. Deste modo, nos divorciamos dele.

Mas sabemos que um desejo maior se seguirá a ele, então qual é o sentido do divórcio?

É por isso que está escrito que o divórcio é a pior opção e que a Divindade chora cada vez que nos divorciamos.   Todos   somos   partes   da   Divindade   e   se   não   a   corrigimos,   é   como      se atrasássemos a correção e isto é muito mau. Com isso dito, por vezes as pessoas têm essa sensação, esse entendimento, que correções adicionais são necessárias aqui.

Se um homem discute com sua esposa e sente que ele a odeia e então volta-se para o Criador e pede uma correção para a amar, é este o modo de ser corrigido?

Isso acontece na espiritualidade. Certamente, precisamos lidar com nossa vontade de receber. Ele está errado e ela está errada, também. Mas quando sabemos que não temos escolha e que devemos ser corrigidos, nós o fazemos. Todos esses Mitzvot (mandamentos) tratam-se do homem e mulher internos; é o desejo de doar de uma pessoa. A força de superar é chamada “homem” e a carência que um deve corrigir, esse desejo corrupto que encontramos, é chamado “mulher”. Na conexão entre eles corrigimos o relacionamento.

Nós recebemos um desejo pela correção da mulher interna e o desejo de corrigir do homem interno, que está conectado ao Criador. Está escrito, “Um homem e uma mulher, se forem recompensados, Divindade está entre eles” (Masécht Sutá, 17a). Através desses três, corrigimos esse relacionamento no correto. Se o corrigirmos, realizamos um Mitzvá e assim continuamos até à próxima mulher (carência) e o próximo homem e a próxima carência e novamente “Um homem e uma mulher, se eles forem recompensados, Divindade está entre eles”. Então, uma vez mais, os corrigimos e realizamos um Mitzvá. Uma vontade de receber com uma Massach (tela) e Ór Chozêr (Luz Refletida) realizam um Zivug de Haka’á (acasalamento com golpe) e a revelação do Criador vem dentro da conexão chamada um “filho”, ou seja, que um adquire entendimento, sensação, Dvekút (adesão).

De O Zohar: Dar Mau Nome

“Um homem deve falar com sua esposa  antes  do  acasalamento  com  ela  pois  ela  pode  ter sido substituída por outra. A questão com uma mulher é que ela é do lado da árvore do conhecimento do bem e mal”. Em outras palavras, ela pode ser boa e ela pode ser má e quem sabe de que lado deveis vós agora falar com a vontade de receber, ou seja a examinar, como vos conectares a ela e como a corrigires. “Sua medula tende a mudar. Contudo, se ela é da Shechiná (Divindade), não há mudanças nela”. A Shechiná é chama de Malchut de Atzilut, o estado corrigido, quando ela está pronta para a correção. Este é o sentido de ‘Eu o Senhor não mudo’, eu sou a Shechiná, que tem medo de todos os lados, as Klipot, como está escrito, ‘Todas as nações nada são em comparação com Ele’. As citações são de Zohar para Todos, Ki Tetzé (Quando Ides), item 8

Pode ser dito que o “eu” na espiritualidade é realmente a vontade de receber, com o acréscimo do ponto no coração e nós somente os tentamos equilibrar?

O eu da pessoa é o marido e a esposa no interior. Nós precisamos saber como trabalhar com ambos juntos, para que o eu seja semelhante ao Criador.

Qual é o Mitzvá de enviar do ninho?

Esse é um Mitzvá muito complicado. É bastante cruel afastar um pássaro do ninho e levar seus ovos. Muitos livros escreveram sobre isso e isso é também mencionado em O Livro do Zohar e nos escritos do ARI.

Nós somos a Malchut, a vontade de receber que deve ser promovida e ajustada a Biná. A “mãe” é

Biná. A mãe dos filhos é a “mãe” dos entendimentos, das realizações.

Precisamos levar os ovos da mãe, os passarinhos futuros e os criar. Fazemos isso ao nos conectarmos ao ninho e realizar o Mitzvá de enviar do ninho. Esse é considerado um Mitzvá (mandamento – correção, boa ação) pois assim que alcancemos este grau, ele é um Mitzvá para essa pessoa.

“Enviar a mãe para longe” é na realidade se desconectar a si mesmo da Biná e trabalhar com os ZAT de Biná, uma parte dela que pertence à pessoa. A pessoa então leva com ela e transforma os desejos de ZAT de Biná, corrigindo a parte de Malchut através deles. Esta é a conexão de Biná com Malchut em Tzimtzum Bet (Segunda Restrição). Esse é um Mitzvá muito grande. Quando uma pessoa ascende, quando Malchut ascende até Biná, Malchut se torna desanexa dela e se corrige a si mesma.

Em outras palavras, aqui, também, há um filho, há os passarinhos, que são a continuação dessa qualidade.

Sim, mas isso é somente quando um se torna desanexo de Biná, quando um consegue usar parte dela para se corrigir a si mesmo.

Há a questão que Amaleque “salta” sobre uma pessoa quando ela não está preparada.

Amaleque é um grande problema. Ele é essencialmente a mesma inclinação ao mal que está na nossa vontade de receber. Amaleque é realmente um acrónimo de Al Menat LeKabel (em prol de receber). O Livro do Zohar também escreve que é Am e Lek, onde Am é de Balaam (Balaão) e Lek é de Balak (Balaque).

De O Zohar: Apagar a Recordação de Amaleque

“Ele pergunta, ‘Quem é a raiz de Amaleque no alto, na espiritualidade, pois vimos que Balaão e Balaque são de lá, de Amaleque do alto?’ Eles foram suas almas, que é o porquê de odiarem Israel mais que qualquer outra nação ou língua. É por isso que Amaleque está escrito nos nomes, ou seja, Am de Balaam e Lek de Balak. Também, os Amalequitas são machos e fêmeas”. Zohar para Todos, Ki Tezté (Quando Ides), item 110

Quando Balaão e Balaque se juntam, eles constroem o nome, Amaleque. Amaleque é sua raiz comum e é assim que eles trabalham dentro de nós, conectados entre eles. A base do mal em nós é Amaleque – Balaão e Balaque.

Mas foi assim que fomos criados.

Verdade, isso não é de nós. Desde o começo, o Criador disse, “Eu criei a inclinação ao mal”, então Amaleque vem Dele. Balaão, Balaque, Faraó, Hitler – todos eles vêm Dele.

Então quem é suposto apagar a memória de Amaleque?

Isso é para o Homem corrigir e o corrigir cuidadosamente para que nenhum rasto dele sobre. Em outras palavras, o todo da vontade de receber virá a direcionar-se a doar até ao último elemento, pois se alguma coisa sobrar dela, ela cresce novamente.

Porque Amaleque salta sobre eles?

Amaleque emergiu de uma raiz, um incidente. Ele é conhecido, até de acordo com o que é dito na Torá, que se alguma coisa sobrar dele, ele cresce dentro de nós novamente. Em outras palavras, até que apaguemos completamente, os problemas não terminarão.

Amaleque é apresentado como retorcido.

Sim, é por isso que concentramos constantemente nossas correções sobre Amaleque, partes da vontade de receber, que são todas dele. E, todavia, isso não é considerado uma dessas partes pois as primeiras nove, nossa inclinação ao mal, também consistem das dez Sefirot, as dez Sefirot de Tumaá (impureza), embora não possamos corrigir as primeiras nove Sefirot. É por isso que não lhes chamamos “Amaleque”, mas “inclinação ao mal”.

E ainda assim, a essência da inclinação ao mal, o “Egito”, o extrato da inclinação ao mal, uma   vez que Mitsraim (Egito) vem de Mits Rá (extrato de mal), é Faraó e Amaleque é um resultado. Balaão e Balaque, contudo, são seus representantes dos lados do macho e fêmea. Ainda é deste modo hoje.

Há uma expressão distinta para o termo, “Amaleque”, nos desejos de nossa geração?

“Amaleque” é quando uma pessoa traz tamanho ódio veemente para o povo de Israel, para a doação, para o amor, que ele ou ela não os consegue aceitar de maneira alguma, até depois de todas as correções. Naturalmente, nenhum de nós as quer, mas assim que corrigimos todas as coisas, quase até ao fim, então Amaleque aparece. Ele não aparece antes disso.

Está escrito sobre isso que depois de todas as Mitzvot, depois do inteiro deserto, depois de tudo o que corrigimos em nós na conexão com a luz superior – o Criador – alcançamos os Mitzvot muito raros e especiais na nossa porção. Somente então, no fim, chegamos a apagar Amaleque.

Mas falamos de apagar a memória de Amaleque.

Sim, pois alcançamos o fim da correção.

Isso significa que o pior ainda está pela frente?

Não. Quando entramos na terra de Israel, já não há qualquer mal. Aqui estamos a tentar transformá-lo em bem. É claro, ainda o descobrimos, mas de um modo diferente, em escrutinar como nos conectarmos aos outros, não em como nos separarmos do mal em nós, mas como nos conectarmos aos outros.

 

Termos

Filho

Um “filho” é o próximo grau, ou Ben (filho), da palavra Mévin (entendimento). Nunca conseguimos compreender o que estamos a fazer – tanto na corporeidade como na espiritualidade – até agirmos. Está escrito sobre isso, “Pelas Tuas ações Te conhecemos” (Livro de Orações, O Cântico da Unificação no Shabat). Através de ações, começamos a entender. É como crianças que brincam sem entender coisa alguma, mas de súbito elas ficam mais espertas.

O mesmo é verdade para nós. É por isso que Ben, Mévin, é um grau que vem até nós como resultado de ações. É também o porquê de estar escrito, “Pelas Tuas ações Te conhecemos” (Meguilá, 6b). Faça um esforço, atue e entenderá e verá.

Amada Mulher e Odiada Mulher

Uma “amada mulher” é a vontade de receber com a qual uma pessoa consegue trabalhar em prol de doar. Uma “odiada mulher” é a vontade de receber com a qual um não consegue trabalhar com a meta de doar, que não nos apoia pois somos fracos. É por isso que há proibições contra as separar e tratar cada uma delas diferentemente.

É o mesmo com os filhos – os primogénitos da amada mulher e da odiada mulher. Isto tem a ver com nossos desejos e depende de como nos relacionamos a eles, como conseguimos ou não levantar a vontade de receber para a correção.

Perda

Na espiritualidade, uma “perda” significa que perdemos um grau que já tínhamos adquirido. Em outras palavras, se perdermos alguma coisa, isso vem deliberadamente do alto como uma espécie de ajuda para nós e precisamos a procurar. Esta é a raiz do mandamento de devolver uma perda que for achada ao seu dono.

Justa Sentença

“Justiça” significa que conectamos adequadamente juízo e misericórdia, a  linha  direita  e  a  linha esquerda, para que possamos corrigir nossa vontade de receber para ter a direção de doar sobre os outros na medida ideal. Em outras palavras, sob quaisquer circunstâncias, fazemos a máxima ação de doação.

De O Zohar: Dar Mau Nome

“O Criador não se chama ‘Rei’ até que ELE monte no SEU cavalo, que é a Assembleia de Israel, ou seja Malchut, como está escrito, ‘Para mim, meus queridos, vós sois como minha égua entre as carruagens de Faraó’, que é tudo bem, sem qualquer mal de todo. Quando o Criador sai do Seu palácio, Ele não é rei. Quando Ele regressa ao Seu palácio, ‘E o Senhor será rei’. E é isto o que se diz de Israel, ‘Todos de Israel são filhos de Reis’. Como o pai, também os filhos não são filhos    de Reis até que regressem à terra de Israel”. Zohar para Todos, Ki Tetzé (Quando Ides), item 5

Esperemos que regressemos à verdadeira terra de Israel, primeiro a interna, a espiritual, a Yashar El (direito a Deus), para que todos estejamos unidos e conectados como irmãos.

Shóftim (Juízes)

Do livro “Divulgando Uma Porção”

(Deuteronômio, 16:18-21:9)

 

Sumário da Porção

A porção, Shóftim (Juízes), continua a explicar as Mitzvot (mandamentos) ligadas à entrada na terra de Israel. A porção começa com a nomeação de juízes para fazerem as leis e oficiais para as aplicarem para que haja verdadeira justiça em Israel. A porção descreve as leis do rei, que deve ser escolhido de entre o povo. A porção também lida com a proibição contra se envolver em bruxaria e voltar o povo para os verdadeiros profetas. Finalmente, a porção ensina ao povo como eles se devem conduzir a si mesmos em um tempo de guerra.

Comentário

A Torá foi dada a cada pessoa para a autocorreção, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu criei para ela a Torá como tempero”. Toda a pessoa, exigindo ou não justiça social, deve primeiro descobrir que ela está preenchida da inclinação ao mal. Devemos descobrir que somos completamente egoístas em prol de realizar nossa correção. Colocando-o diferentemente, precisamos descobrir que estamos a viver como criminosos.

Durante os Grandes Feriados* dizemos, “Estamos em falta; nós traímos”. Está escrito sobre estas palavras, “Mantenha-se longe de uma falsa palavra” (Êxodo 23:7). Precisamos descobrir que fomos nós que cometemos essas transgressões. Se pensarmos que o que está escrito na Torá está exagerado e que não é uma verdadeira descrição de quem nós somos, isso é um sinal que ainda estamos para conhecer quem somos realmente e que precisamos ainda de descobrir a totalidade da nossa inclinação ao mal.

É então que a Torá vem até nós, pois “a luz nela reforma”. Isto é, a Torá nos instruiu a como suscitar dela a luz para que nos reforme, para que possamos alcançar amor e conexão com os outros.

Há muito trabalho para nós fazermos: caminhamos nas trevas, em choros, em escrutínios, em elevar MAN, em várias transgressões, tais como com os espiões e as águas da contenda, até que alcançamos as fronteiras da terra de Israel. Nos corrigimos até que possamos usar nossos desejos em prol de doar.

Contudo, é mais que uma mera restrição do nosso desejo; é na realidade usar o desejo em favor dos outros. Os mesmos desejos que descobrimos dentro de nós – que trabalhavam somente para nosso próprio favor para enganar, mentir, roubar e manipular – agora chegaram a um ponto de correção e purificação através dos quarenta anos no deserto até à entrada na terra de Israel. É então que abordamos a fase do trabalho interno sobre o ego, o ponto onde nos voltamos e usamos o ego na doação, a favor dos outros. Aqui, isso é considerado que o anjo da morte se tornou um anjo sagrado.

É um tipo muito diferente de trabalho. Neste trabalho, uma pessoa precisa de juízes e oficiais. Os juízes são as decisões que uma pessoa toma em avançado, do Rosh (cabeça) do Partzuf (face) espiritual, Rosh da Neshamá (alma). “Juízes” são a premeditação a respeito de precisamente como trabalhar com o nosso ego, como o manipular e como o dispor para que ele dê seu máximo poder e transforme toda a sua negatividade na direção do favor pelos outros.

Posteriormente, um precisa estabelecer oficiais sobre si mesmo de modo a não se desviar do caminho, uma vez que até se a decisão estiver inicialmente correta, um não consegue adivinhar o futuro. Isto é chamado o Guf (corpo) do Partzuf, da Neshamá. A Neshamá são aqueles desejos egoístas que transformamos na intenção de doar.

Se usarmos os desejos de acordo com a forma do ego, não temos Rosh, nem precisamos de uma pois estamos a ser empurrados. Contudo, se quisermos começar a usar nossos desejos em favor dos outros, primeiro devemos os restringir e então agir de acordo com os escrutínios e decisões que anteriormente tomámos, através da luz que reforma. Quando usamos nossos egos favoravelmente, isso é considerado “arrependimento”. Nesse estado, usamos esses desejos somente em favor dos outros, sem quaisquer favores regressarem a nós.

A premeditação é chamada “juízes” e a execução é chamada “oficiais”. Estas são duas qualidades de doação: uma que planeia a ação (juízes) e a outra que as executa (oficiais). Estes são os mesmos desejos terríveis que em nós estavam anteriormente e que foram usados somente para prejudicar os outros e nos beneficiarem a nós mesmos. Estes desejos agora se tornaram Yashar El (direito a Deus), Yisrael (Israel). Eles são chamados Éretz Yisrael, onde Éretz significa Ratzon (desejo) e Yisrael significa Yashar El (direito a Deus). É assim que avançamos, quando nosso desejo estiver inteiramente direcionado para a doação sobre a força superior, o Criador, através da doação sobre os outros.

É por isso que precisámos das duas forças, oficiais e juízes, nos guardando e cuidando de nós, realizando os escrutínios certos. Anteriormente, tínhamos somente o escrutínio de doce e amargo. “Doce” significa que queríamos e “amargo” significa o que não queríamos. Aqui, contudo, isso refere-se a outro escrutínio a respeito de doce e amargo, um escrutínio de verdade e falsidade.

“Verdade” significa doação sobre a força superior, se aproximar dele, conexão com os outros        e atualização da qualidade de doação.

Foi por isso que foi dado à humanidade, para que possamos levar a cabo a conexão e trabalhar sobre nós mesmos, como está escrito, “Através do amor pelo homem ao amor por Deus”.

Corrigir os desejos significa alterá-los de cuidarmos de nós mesmos, da recepção, para usá-los a favor dos outros. Essa é uma correção de falsidade para a verdade, para que ela não seja amarga para nós, mas doce. “Verdade” significa usar o desejo em favor dos outros, até se nos souber amargo. Isso é chamado “fazer um Mitzvá” (singular de Mitzvot).

O homem é feito de um desejo de receber prazer. Há 613 Mitzvot, que são os 613 desejos em nós, nossos 613 impulsos egoístas com os quais nós exploramos os outros. Devemos transformá-los para serem em favor dos outros.

Há dois graus aqui: um é chamado o “deserto”, através do qual uma pessoa alcança o grau de Biná, doação e o outro é chamado Éretz Yisrael (terra de Israel), o desejo de doar, quando uma pessoa na realidade adquire, ou seja, corrige o uso de todos os desejos com a intenção de doar. É assim que nos tornamos Cabalistas, recebendo a revelação da Divindade, que é nossa meta. É o mesmo para cada pessoa e para o todo da humanidade.

Na verdade, já estamos na nossa correção final, em redenção completa. Transcendemos o uso egoísta de nossos desejos e qualidades e os elevamos para o uso altruísta a favor de todos e a favor da força superior, o Criador. Isto conduz-nos para a correção geral de nossos desejos, conectando- nos juntos para que cada um de nós alcance a revelação da Sagrada Divindade, a Assembleia de Israel, através de nossa correção em relação aos outros.

 

Perguntas e Respostas

Quando descobrimos que todos nossos desejos são para usar e explorar os outros, pedimos correção. Mas isso significa que na realidade desejamos prejudicar os outros?

É claro nós não sentimos ou entendemos se devemos nos imaginar a prejudicar os outros, ou talvez concordar que assim seja, até se não sentirmos dessa maneira.

Temos tendência a julgar as pessoas pelas suas ações. Contudo, a maioria das transgressões discutidas aqui são na intenção e não na ação.

Estamos inconscientes delas nas nossas ações, também. Começamos a ver que estamos a cometer estes pecados quando começamos a avançar para os outros. Erros e pecados são somente em relação aos outros. Quando verdadeiramente começamos a agir na direção da conexão, descobrimos quão incapazes somos, como rejeitamos, esquecemos e nos opomos a ela e como nos enganamos a nós mesmos a toda a hora, até inconscientemente.

Subitamente, descobrimos que nos esquecemos totalmente que a Torá nos incumbe de alcançar conexão, amor, “Todos de Israel são amigos”, etc. Este é um processo que acontece a todos; não podemos alcançar a espiritualidade e observar a Torá a menos que sigamos o caminho da conexão entre nós.

O que é um juiz?

“Juízes” são pensamentos e desejos que aparecem para nós de entre muitos outros que estão ainda enterrados em nós. Conhecemos mais ou menos nossas qualidades; podemos julgar o estado no qual nos encontramos e podemos voltar sua direção em favor dos outros, ou pelo menos ver como não temos desejo de dar aos outros e que vilões nós somos. Isto, em si mesmo, é um alto grau.

As pessoas ímpias na Torá não são pessoas vulgares. Este é um alto grau. A Torá foi escrita na realidade para os ímpios, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. A Torá destina-se a aqueles com uma inclinação ao mal. Se não sentirmos que somos egoístas, criminosos, não precisamos da Torá e ela não se destina a nós.

Por que lei sentencia o juiz? Por que lei é um declarado transgressor?

O juiz é o indivíduo. Assim que direcionados para a conexão com os outros, começamos a nos julgar a nós mesmos: “Quero realmente me conectar com os outros? ” Escrutinamos porque queremos nos conectar: “Qual é a base sobre a qual devo observar essa lei? Está claro o que deve ser feito? Alguém me disse que o devo fazer? Quero eu o mundo vindouro ou este mundo? Espero ganhar alguma coisa disso? Ou, quero-o realmente pelo Criador sem qualquer autogratificação? ”

Cada passo no caminho contém muitos graus sobre os quais descobrimos que somos maus. Se não nos empurrarmos para a conexão com os outros, não descobriremos quão opostos à união somos nós. Há imenso trabalho antes de alcançarmos o estado de “Eu criei a inclinação ao mal”. Nesse trabalho descobrimos que o Criador criou a inclinação ao malem nós e sem ela, nada temos.

Nós não entendemos a natureza da Criação. A Criação é a inclinação ao mal. Estamos inconscientes da medida à qual procuramos somente o nosso próprio bem e não o bem dos outros. Além do mais, quanto mais os outros sofrem, mais superiores nos sentimos, que nos dá prazer e preenchimento.

Isso é muito enganador. Uma pessoa vulgar em uma sociedade que obedece a leis não se sente uma criminosa se ele ou ela não fez alguma coisa fora da lei.

Verdade, mas você descreve a vida corpórea, terrena. Aqui falamos de outra coisa. Se quiser descobrir o Criador, precisa transformar sua intenção em doação, em amar os outros.

E se afirmássemos o que você acaba de dizer a uma pessoa sem conhecimento na Cabala?

Seríamos ridicularizados, sem dúvida.

Não faz sentido e é completamente fora de moda.

Verdade, é por isso que precisamos explicar que hoje, devemos usar a verdadeira Torá. A sabedoria da Cabala é chamada a “verdadeira Torá”; ela é a interioridade da Torá pois a luz nela reforma. Em outras palavras, ela é um método para a correção da alma. Estamos em exílio do mundo espiritual e devemos deste modo nos corrigirmos e descobrir a espiritualidade, descobrir o Criador. Este é o propósito e a Torá nos foi dada para que chegássemos a ”conhece o Deus de teu pai e serve-O” (1 Crónicas, 28:9).

Em um estado corrigido, não haverá juízes nem oficiais, ou leis?

Não. Aqui, neste mundo, temos de viver de acordo com aquilo que a humanidade determina, de acordo com aquilo que as pessoas e o governo decidem. Devemos respeitar estas leis pois elas foram feitas por uma Providência oculta.

Neste mundo nós temos de ser como todos os outros, “Eu moro entre meu povo” (2 Reis, 4:13). Contudo, dentro de nós precisamos O começar a conhecer, para subirmos ao nível onde, de algum modo, nos assemelhamos a Ele se desejamos abrir nossos olhos na Torá, se quisermos descobrir a Divindade e as leis superiores e sentir e vir a conhecer o Criador. Alcançamos a revelação do Criador à medida de nossa Dvekút (adesão), a medida de nossa equivalência de forma.

Pode haver uma correspondência entre as leis corpóreas e a espiritual?

Sim, na correção final e completa.

E antes disso?

Antes disso, certamente não, porque nós determinamos as leis corpóreas de acordo com nossos egos. Quanto mais começarmos a manter estas leis na espiritualidade juntos, também quereremos projetá-las sobre o mundo corpóreo. Não podemos fazer isto separadamente. Antes da ruína do Templo, quando o povo de Israel mantinha estas leis, nós as mantínhamos e também vivíamos de acordo com elas.

Há quaisquer oficiais na sociedade de hoje?

Não. Hoje, oficiais e juízes trabalham pelas leis que as pessoas determinaram. Isso não tem qualquer conexão com a espiritualidade. Não podemos também estabelecer leis espirituais entre nós pois não as conseguimos manter. Todas as leis espirituais lidam com o amor pelos outros. Estas são leis do sistema geral global que hoje aparece e está a começar a exigir que o mantenhamos.

Mas a situação presente é ao contrário. As pessoas querem justiça, mas não sabem como a implementar.

A rede de conexões entre nós está a aparecer por todo o mundo. Todos nós estamos conectados através dela e todos são dependentes uns dos outros. É por isso que as pessoas sentem a necessidade da mudança, que elas devem fazer alguma coisa. Todos nos sentimos desconfortáveis pois nada que tentamos tem sucesso. Estamos em uma crise nas nossas famílias, no trabalho, no sistema de educação, na cultura e basicamente em todo o lugar.

Mas isto é algo profundo. Frequentemente sentimos que estamos em uma crise independentemente do que acontece no exterior.

Não faz diferença; o que importa é o que sentimos. Por fora, as coisas podem ser belas. No todo, as pessoas não estão a morrer de fome, todavia muitas possam ir para as ruas e levantar um grito. Elas estão inconscientes que por trás de suas exigências de justiça social reside um grito por falta de conexão. Esta é a verdade que hoje está a aparecer no mundo hoje.

O mundo está a manifestar-se como integral, global, como inteiramente interconectado.

A porção fala de um rei que deve ser escolhido de entre o povo. Se um rei é um governante todo- poderoso, como podemos falar de realeza nesse estado? É como se hoje as pessoas fossem nomear democraticamente um líder como rei; isso soa completamente irrealista.

Quando todos os pensamentos e desejos trabalham para a terra de Israel, para o desejo pelo Criador, o desejo pela doação abrangente, mutua e completa, uma pessoa escolhe a base com a qual ela influencia todas as coisas. Com essa base, um alcança a Kéter (coroa), ou seja, semelhança com o Criador de todas as maneiras.

Nós criaturas estamos em Malchut (realeza), que é nossa grande vontade de receber. A força superior que nos criou, por outro lado, está em Kéter. Precisamos conectar todos os nossos desejos do “povo”. A partir da união de todos, escolhemos nossa mais básica fundação e chamamos-lhe “rei”, como Rei David, o Messias filho de David, que é Malchut que alcança Kéter. Um “rei” em Israel não é como um rei em outras nações, do modo que os romances o imaginam. Ser-se rei em Israel é o trabalho mais duro que pode haver.

Isso trata-se de uma pessoa?

O “rei” é o juiz supremo. Ele é a pessoa a quem as pessoas vêm fazer perguntas e ele não se pode afastar daqueles que vêm até ele.

Ele também passa juízo?

Sim. Maimônides e outras fontes escrevem sobre esse trabalho, que é certamente trabalho duro.

É realista ter um rei em Israel hoje?

O rei não é aquele que se senta no trono. Ele é o juiz supremo. O rei é aquele que sabe como organizar, aproximar e corrigir as decisões mais cruciais com a direção de doar. Ele é responsável pela nação inteira, por coletar todos os desejos do povo dentro dele e os elevar até Kéter.

Há ora um rei em cada um de nós ou um rei geral entre nós, nos elevando ao Criador e nos conduzindo para a correção. Messias, filho de David, é aquele que puxa o todo de Malchut ao grau de Kéter.

Hoje, o povo não tem fé no governo; eles querem assumir o poder e tomar decisões. É esta uma nova fase que emerge que as conduzirá à conclusão que as pessoas precisam de um representante para falar por elas?

Não. As pessoas precisam de exigir ajuda do governo para receber educação para a educação mútua. Esta é a obrigação que recebemos no Monte Sinai, quando nos foi pedido se somos responsáveis uns pelos outros e se queremos ser como um homem com um coração.

Esta é nossa correção – “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”. Esta é a fase do deserto. “Ama teu próximo como a ti mesmo” é a fase chamada “terra de Israel”, garantia mútua, ser-se “como um homem com um coração”. Nós devemos fornecer a educação da garantia mútua por nós mesmos a todas as pessoas. O governo pode ajudar pois ele tem os instrumentos, recursos e os mídia, mas são as pessoas que o devem exigir.

Então e o sistema judicial? Precisaremos nós de oficiais e juízes para manter a garantia mútua?

Teremos de reconstruir o sistema para que ele seja um sistema educativo, com pessoas que exerçam, como oficiais e juízes, uma espécie de Sinédrio renovado.

A porção menciona bruxaria e divinação. Porque são eles proibidos? Não mudariam as pessoas para o melhor se elas soubessem para onde se dirige o mundo?

Estamos proibidos de confiar em milagres ou adivinhar o futuro. As únicas ações permitidas são aquelas nas quais servimos como nossos próprios juízes e oficiais para promover nosso progresso. A sabedoria da Torá, ou seja, a Cabala, rejeita qualquer bruxaria ou bênção. Ela rejeita notas ou pedidos desde o Rabi, às fitas vermelhas, água benta e horóscopos de qualquer espécie. Tudo isso é considerado “idolatria”.

É semelhante ao que foi dito sobre Abrão antes de ele se tornar Abraão, o pai da nação. Ele estava envolvido em vender ídolos, um grau preliminar que existe em cada um de nós, em qualquer um que ainda não tenha sido corrigido através de uma divulgação genuína da inclinação ao mal, pois então um exige o verdadeiro tempero da Torá.

O povo de Israel aprendeu sobre condutas durante a guerra. O que é a guerra?

Ela é uma luta contra a inclinação ao mal. Os inimigos do homem são aqueles que habitam dentro dele no seu lar, aqueles no seu coração, ou seja todos os desejos, pensamentos, pecados e erros que ele deve transformar em Mitzvot, em ações de doação. Uma ação de doação é chamada um Mitzvá (singular de Mitzvot). Há uma guerra interminável aqui – a guerra do Criador com Amaleque, que dura gerações.

Mas como resultado, construímos um exército com um código de ética e valores.

Não tivemos outra escolha. No passado, também, tivemos um exército. Também o Rei David e assim fizeram todos os outros. Enquanto as pessoas não haviam sido corrigidas, tinha que haver um exército.   Se   nos mudássemos a   nós   mesmos   até    um    pouco    para    a    garantia    mútua, imediatamente chegaríamos e veríamos que nossos vizinhos nos deixariam em paz.

Afinal, não fazemos coisa alguma que esteja fundamentalmente errada. No minuto em que nos direcionamos corretamente para o amor pelos outros entre nós e dentro de Israel e nos começamos a conectar como antes, em amor fraterno, mudaremos a direção para o positivo, o mútuo e testemunharemos paz e sossego pelo país, saúde, educação e o fim das lutas externas ou internas.

 

Termos

Juiz

Um “juiz” é aquele que decide.

Oficial

Oficiais, bem como juízes, cuidam da boa influência sobre o povo.

Julgamento e Justiça

“Juízo” é um estado no qual um trabalha acima da sua grande vontade de receber. “Justiça” é um estado no qual um trabalha somente em favor dos outros, sem qualquer autogratificação.

Rei

Este é um estado onde uma pessoa tem a força para fazer o que é necessário de acordo com a Kéter

(coroa), de acordo com o Criador, a força superior que aparece.

Bruxaria

Qualquer ação pela qual um deseje obter benefício sem trabalho honesto, ou seja, que ele trabalha para o seu ego.

Futuro

O resultado de uma ação de doação.

Guerra

A única guerra é aquela contra a vontade de receber, contra o ego. Todas as outras guerras, incluindo aquelas no nosso mundo, resultam do fato de não estarmos a lutar contra nossos egos. Se tivéssemos sucesso nisso só um pouco, até nossos piores inimigos nos deixariam.

Lei

A natureza ao nosso redor é uma lei. É semelhante a lei que aparece e aponta para nossa interconectividade, mas prejudicialmente. A conexão certa e benéfica é chamada a “lei superior”.

Transgressor

Aquele que usa a sua vontade de receber para seu próprio favor e contra o bem dos outros.

Garantia Mútua

A realização de que somos interdependentes e devemos estar em mutualidade favorável uns para os outros.

De O Zohar: Grande Sinédrio, Pequeno Sinédrio

O Mitzvá subsequente é de assumir o grande tribunal, Biná, que – do lado de Chéssed – é chamada Elokim, Biná, “o grande tribunal”. Grande é Chéssed. Ela é grande nos seus Dinim, esquerda e grande nos seus méritos, direita. Quando a esquerda de Biná é incluída na direita, Chéssed, ambas são chamadas “grandes”, como está escrito, no Mitzvá, “Seguramente colocareis um rei sobre vós”. “Colocareis” significa no alto, em Biná, e “colocareis” abaixo, em Malchut. É assim que devemos assumir o grande tribunal do lado de Biná, embora ele já tenha assumido o pequeno tribunal do lado de Malchut. Zohar para Todos, Shóftim (Juízes), item 21


* Os dez dias começam em Rosh HaShaná e terminam em Yom Kipur. Também conhecidos como os “Dez Dias de Arrependimento”.

Re’é (Vede) 

Do livro “Divulgando Uma Porção”

(Deuteronômio, 11:26-16:17)

 

Sumário da Porção

A porção, Re’é (Vede), começa com as palavras de Moisés para o povo vir e ver a bênção e a maldição, que o Criador os ordena. Se o povo aderir aos mandamentos do Criador, eles serão abençoados. Inversamente, eles serão amaldiçoados.

Posteriormente, as sondagens de Moisés com o povo e as preparações para entrar na terra de Israel, os deveres e as proibições que acompanham a entrada, a obra do Criador, especificamente no Templo e a proibição contra escutar falsos profetas que desviam o povo de servir o Criador. A porção também cita as leis de Kashrut*, dizimo, Shmitá (remissão) e os três festivais nos quais é costume fazer uma Aliyá la Régel (peregrinação) para Jerusalém.

 

Comentário

A Torá fala somente sobre o sentido interno de todas as questões acabadas de mencionar. Está escrito, “Vede”, se referindo à recepção da luz de Chochmá, que é ver. “Ver” é o mais alto dos cinco sentidos e marca o nível mais alto de realização. Quando uma pessoa vê verdadeiramente se o que está a acontecer é uma bênção ou uma maldição, ela encontra-se precisamente diante da entrada para a terra de Israel.

Éretz Yisrael: Éretz significa Ratzon (desejo) e Yisrael (Israel) significa Yashar El (direito a Deus). Em outras palavras, Éretz Yisrael é um desejo direcionado inteiramente para a doação, para a garantia mútua, conexão entre todos “como um homem com um coração”. No pé do Monte Sinai, aceitámos a condição, “Ama teu próximo como a ti mesmo”, para sermos “como um homem com um coração”. Quarenta anos mais tarde, completamos a correção e estamos prontos para entrar na terra de Israel, onde todos os desejos estão conectados em verdadeira doação. É por isso que isso é chamado Yashar El (direito a Deus). O Criador, cuja qualidade de doação e amor existe no mundo, governa o todo da realidade.

Passados os quarenta anos de correção – quarenta graus de Biná a Malchut e de Malchut a Biná – devemos obter a correção geral de nossa vontade de receber para que ela seja inteiramente em doação sobre os outros. Este é o grau de Biná, o grau de Chéssed (misericórdia), o grau de Abraão. Posteriormente, há as 613 Mitzvot (mandamentos) pelas quais um corrige todos os 613 desejos para terem a meta de doar sobre os outros, porque “Ama teu próximo como a ti mesmo” é uma grande regra na Torá, uma regra que inclui todas as coisas dentro dela.

Tudo o que precisamos é corrigir nossos desejos egoístas para a doação, amor e garantia mútua. Isto é, de fato, a condição para nossa recepção da Torá. A Torá é uma instrução de como podemos nos corrigir a nós mesmos. A luz que reforma é realmente o poder da Torá, o poder da luz que nos corrige.

Está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu criei para ela a Torá como tempero”, porque “a luz nela os reforma”.

Aquele que descobre a inclinação ao mal no interior, os desejos egoístas, o ódio, repulsa, o Monte Sinai (monte de Siná [ódio]) interno, merece receber a o método de correção chamado Torá, ou “a sabedoria da Cabala”, porque é aqui que está escondida a luz. É por isso que a Cabala é chamada “a interioridade da Torá”, e “A Torá (lei) da verdade”.

É assim que avançamos para a entrada para a terra de Israel. Doravante, devemos ser capazes de “ver” como distinguir nossos desejos corrigidos para os outros daqueles por corrigir. Nos tornámos verdadeiramente uma nação agora, com nosso desejo comum, que anteriormente estava na terra de Canãa, então o Egito e então um deserto?

Este são graus do nosso desejo comum, nos quais passámos por fases nos nossos relacionamentos. Agora, entramos em um relacionamento chamado Yashar El, que é somente na direção da doação mútua. Estamos nos tornando semelhantes à Shechiná (Divindade), à Assembleia de Israel, com todos nossos desejos direcionados para o Criador (Yashar El), diretamente à doação e amor mútuos, onde descobrimos a qualidade comum de doação chamada ”a revelação do Criador às criaturas”.

Está escrito que o Criador aparece somente na terra de Israel, em um desejo que é dirigido somente pela equivalência de forma. Quando estamos em um estado de amor e doação uns sobre os outros, descobrimos essa força comum na Natureza e ela aparece para nós.

A força comum que aparece dentro de nós é chamada “a conquista da terra” porque nessa altura podemos entrar nos nossos egos com a qualidade de doação e começar a conquistar todos nossos desejos. Podemos começar a colocá-los debaixo do governo da doação e amor mútuos. Gradualmente combatemos com todas as nações, ou seja, nossos próprios pensamentos e desejos que se revoltam contra a conexão e garantia mútua, contra a união entre nós. Assim que tenhamos separado estes desejos, os separamos da Kedushá (santidade).

Este é o tema principal da porção. Dentro de nós há vários tipos de desejos, chamados “inanimado”, “vegetativo”, “animal” e “falante”.

Nós os corrigimos do “fácil” para o “difícil”. A lista de leis diante de nós conta-nos como os distinguir e como realizar escrutínios e correções. Estas são as regras a respeito de Kashrut no inanimado, vegetativo e animal e mostram-nos como distinguir as relações entre humanos.

A preparação para este processo já foi feita pela luz de Chochmá. Nós o fizemos no deserto, ou seja, no estado de o “deserto” dentro de nós, através da luz de Chassadim. Agora nos corrigimos através da luz de Chochmá. Alternamos do grau de Chafetz Chéssed (desejar misericórdia), que é “Aquilo que odeias, não faças ao teu amigo”, e entramos em Éretz Yisrael, um grau de “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Estas são as duas fases que conduzem à correção.

Testamos todos nossos desejos para ver se eles são uma bênção ou uma maldição. Se uma pessoa está em amor-próprio nesses desejos, estes são uma maldição porque nada de bom virá deles para essa pessoa. Contudo, se um os corrige, há uma promessa que ela sempre estará em equivalência de forma nesses desejos, em proximidade com a força superior, a força comum e que nenhum mal virá a essa pessoa.

Até hoje, se desejamos viver em Israel segura e prosperamente, com divisão justa, podemos alcançar isto somente ao corrigirmos nossos desejos egoístas, somente através de amor recíproco. Se começarmos a nos conectar, imediatamente sentiremos que há uma força entre nós que está a colocar as coisas em ordem. Ninguém entende como fazer isto, mas nós temos a Torá e podemos fazer essa conexão e sermos um exemplo para o resto do mundo.

Precisamos o compreender e fazer estas correções. Estas são as correções dos três anos do fruto Orlá (incircunciso), os sete anos de Shmitá (remissão) e o Yovél (jubileu, aniversário de cinquenta anos), bem como as regras de Kashrut sobre diferentes níveis – profetas e sacerdotes. Todos estes nos explicam como devemos ordenar as coisas dentro de nós para destruir a idolatria que vemos ao nosso redor e é dentro de nós quando nos dobramos para outras metas além do amor pelos outros e o estabelecimento de nosso Templo.

Trazer uma oferenda está também relacionado à correção. A palavra Korban (oferenda/sacrifício) vem da palavra, Karov (perto), ou seja, se aproximar da qualidade de doação, ao Criador. O Ketóret (incenso), da palavra, Máktir (coroamento), aproxima-nos da Kedushá (santidade), da doação sobre os outros. Precisamos compreender que Kedushá e Tumaá (impureza) são o amor pelos outros e seu oposto.

 

Perguntas e Respostas

O que são a bênção e a maldição de nossa geração?

Isto não mudou durante as eras. A Torá é eterna, desde o tempo da criação do mundo, desde a criação da inteira realidade, desde o mundo de Ein Sof (infinito), por todos os mundos até ao cascatear de nossa realidade hoje. Hoje devemos reviver a história e subir de volta ao mundo de Ein Sof, não com nossos corpos físicos, mas com nossas mentes, na nossa consciência.

Isto pode acontecer somente ao corrigirmos nosso desejo egoísta que foi criado deste modo para começar, como está escrito, “Eu criei a inclinação ao mal”. Correção significa alcançar amor pelos outros através da luz superior, a força superior. De fato, esse é o inteiro trabalho de Kedushá (santidade), a obra das oferendas, que aproxima a pessoa dela, sempre sabendo onde não se encontra ainda corrigido.

Quando lemos a Torá, vemos que estamos constantemente a cometer erros, tal como no deserto e noutros lugares. Quase toda a porção repete a história dos filhos de Israel falharem uma e outra vez. Contudo, falhamos somente para descobrir os desejos que ainda não estão corrigidos e para os trazermos para Kedushá, para a correção. Através dos desejos corruptos, alcançamos correção, conexão entre nós.

Então porque falhamos agora? No que caímos no nosso tempo?

Nossa geração é especial. Alcançámos a realização final, a correção completa do mundo porque o mundo inteiro está a descobrir que ele está em uma situação vaga e pouco clara. Todos nossos sistemas estão corrompidos; não conseguimos encontrar nosso caminho neste mundo pois somos incongruentes com as leis da Natureza.

A natureza que agora aparece para nós está a aparecer do interior. Ela é uma natureza de doação, uma natureza de amor pelos outros, um mundo global. Embora ainda nos relacionemos à manifestação desta realidade egoistamente, não nos dando bem com ela, recusando nos conectarmos ou nos unirmos com os outros, a realidade que está a aparecer nos obriga a assim fazer.

 

Ela está a emergir do interior, da rede de conexões entre nós que forma um mundo global e integral com o qual não correspondemos.

É precisamente quando descobrimos que não conseguimos achar nosso caminho no mundo que a sabedoria da Cabala aparece. Sem ela, estaremos perdidos pois não entenderemos o que nos está a acontecer. A sabedoria da Cabala explica-nos que devemos alcançar a garantia mútua, a lei que nos foi dada no pé do Monte Sinai, que devemos manter. Essa lei afirma que quanto mais sentimos a realidade como oposta a nós, como uma com a qual não nos conseguimos dar bem, mais e mais nós e o mundo devem ser corrigidos.

As correções estão na união, em avançar para a reciprocidade, em comunicar, em congruência com a Natureza, que sentimos como boa, útil, corroborante e não como uma resistência ou ameaça, como nós atualmente a sentimos. Embora todos nossos sistemas estejam à beira do colapso, sentimos principalmente os sistemas económicos e financeiros pois todos os nossos sistemas da vida dependem deles, especialmente a alimentação que precisamos para sobrevivermos.

A sabedoria da Cabala revela-nos o caminho fácil, bom e curto. Tudo o que precisamos fazer é escutar e a vida subitamente correrá mais suave. Se nos envolvermos nela, veremos quanta luz há diante de nós, que seguiremos seguramente e desfrutaremos da vida.

É especialmente verdade aqui em Israel. Nós temos um método. Se nos unirmos, formaremos um ponto focal para o resto do mundo. Todos os eventos da vida acontecem especificamente em prol de divulgar para nós o problema que devemos solucionar em prol de sermos salvos. Verdadeiramente temos de nos corrigir em união e verdadeiramente nos tornarmos o povo de Israel, conectados, unidos e liberados de todos os apuros. Ao assim fazer, nos tornaremos “uma luz para as nações”.

É contra a natureza humana pedir às pessoas para amarem todos?

Por agora, devemos começar superficialmente. Precisamos entender que solucionar nossos problemas e chegar verdadeiramente à terra de Israel, em prosperidade, segurança e abundância é possível somente se nos unirmos.

“Unir” significa estar em garantia mútua. Esta é a condição que tomamos sobre nós mesmos quando recebemos a Torá no pé do Monte Sinai e é para onde a Natureza nos está a empurrar, pois essa é a lei abrangente do sistema integral que está a aparecer diante de nós hoje. Podemos aprender esta lei da ciência, também. Ela conta-nos que não temos outra escolha; se estamos atados juntos deste modo, devemos organizar nossos sistemas em correspondência.

Isso é especialmente verdadeiro para nós e subsequentemente para o resto do mundo. É por isso que a caridade não faz sentido e o mesmo serve para pensar que podemos ter sucesso através de trabalhar para este ou aquele comité, ao aumentar os impostos ou ao pagar esta ou aquela soma.

Até se dividirmos a tarte comum, não teremos sucesso pois a lei da Natureza, que determina que nós temos de nos tornar conectados “como um homem com um coração”, está contra nós.

Como o fazemos?

Precisamos aprender como o fazer. Avançamos por tentativa e erro, mas vemos que isso pode ser feito e na realidade muito facilmente. O único obstáculo é uma barreira psicológica sobre a qual devemos saltar. Quando o fizermos, acontecerá facilmente. Precisamos virar uma minúscula “maçaneta”, como uma criança que pressiona um botão e liga uma máquina enorme. Certamente, é isto o que nós somos.

Isso acontecerá rapidamente, mas somente se compreendermos que a união é a solução para todos os nossos problemas. Se não compreendermos, sofreremos mais e mais golpes. A partir deles, ainda aprenderemos o que fazer. Contudo, esta é uma estrada longa e dolorosa.

Mas há problemas por todo o mundo.

Sim e no fim o mundo inteiro virá até nós.

Apontando o dedo para nós?

Sim, eles o farão subconscientemente e até conscientemente o sentirão. Eles até dizem que somos culpados por todos os problemas no mundo. Eles exigirão soluções práticas de nós. Então antes que comece, devemos tornar a sabedoria da Cabala conhecida pelo mundo e mostrar a todos o que significa se ser “uma luz para as nações”.

De o Zohar: E o Senhor disse para Abrão depois de Lot Ser Separado

“Somente o Criador governa sobre a terra de Israel. Quando Israel pecaram e ofereciam incenso a outros deuses fora da terra, a Divindade foi aparentemente rejeitada do seu lugar pois eles untavam e queimavam incenso para outros deuses se conectarem com a Divindade e então lhes foi dada governança. O incenso faz um laço de modo a conectar. Assim, eles sugavam da Divindade e recebiam a governança dela e então o resto das nações governavam, os profetas foram cancelados e todos aqueles altos graus não governaram sobre a terra”. Zohar para Todos, Lech Lechá (Ide em Diante), item 185

Na verdade, tudo depende se uma pessoa “convida” a força superior para estar perto dela. A força superior é uma força de doação e amor que está acima de nossos egos. É por isso que ela é chamada “superior”; ela é uma natureza acima da nossa. Devemos aproxima-la um pouco mais de nós, a atrair de acordo com a equivalência de forma para que ela esteja em nós e então nada temeremos.

O que são as leis aqui mencionadas, tais como a Kashrut e o dízimo?

Todas elas são correções da vontade de receber.

Seguir estas leis somente no nível físico e material me concederá correções?

Não, seguir no nível corpóreo não vai ajudar. É como se quiséssemos compartilhar nosso vencimento através de nossos próprios cálculos. Isto não resultará pois são nossos corações que precisam de correção, não agir com nossas mãos e pernas.

Contudo, não precisamos evitar ações físicas pois elas sustentam a estrutura da nação. É uma certa abordagem que deve persistir na nação, mas a coisa importante é a correção do coração. Baal HaSulam escreveu que a Torá foi dada aos homens do coração**, ou seja, corrigir o coração, como está escrito, “Escrevei-as na tábua do vosso coração” (Provérbios, 3:3). A Torá inteira foi escrita somente para corrigir o coração.

Corrigir o coração é trabalho interno.

Trabalho interno é tudo o que nos é pedido, corrigir o desejo. Nossos corpos são carne e há coisas diferentes que podemos fazer com eles. A carne pode sorri para os outros enquanto na verdade queremos matá-los. Não temos necessidade deste sorriso falso, esta atitude superficial para as coisas. Precisamos do coração, a conexão dos corações. Se não o fizermos, estaremos em grandes apuros, então esperemos que isso se torne mais prevalecente na nação e avancemos favoravelmente.

 

De O Zohar:

Pois quem é DEUS, além do Senhor? E quem é uma rocha, além de nosso Deus? “Pois quem é Deus, salvo o Senhor? ” Tudo está na permissão do Criador. Não é como parece nas estrelas e fortunas, que mostram alguma coisa e o Criador muda-o para outra maneira. “E quem é uma Rocha, salvo nosso Deus? ” Significa que não há tamanho pintor como o Criador. Ele é o pintor perfeito, que faz e pinta uma imagem em todas as suas correções e insta uma alma elevada dentro dela, que é semelhante à correção superior. Zohar para Todos, Lech Lechá (Ide em Diante), item 328

Tudo o que precisamos fazer é querer a correção. Essa força que está sobre nós, o desejo geral de doar, é chamada o “Criador”. É isso o que retrata em nós as imagens certas. As conexões entre nós são chamadas “suas formas”, e no fim, de acordo com nossos pedidos, ela nos conecta e encontra- se dentro de nós. Isso é chamado “o morador se vestir na Shechiná (Divindade) ”.

Nós somos a Shechiná, a Assembleia de Israel. Quando estamos unidos, a qualidade de doação está em nós.

Quando verdadeiramente alcançarmos esta garantia mútua entre nós, descobriremos a Kashrut, o dízimo e todas estas leis entre nós?

Quando começarmos a nos aproximar, experimentaremos todas as coisas que estão escritas na Torá.

O que é a obra do Criador, o Templo?

O coração do homem é chamado “uma casa”. Todos os desejos de um homem são chamados “ a casa do homem” ou “coração do homem”. Quando todos se direcionam para a doação, para a conexão com os outros, isso é chamado “santidade”.

É esse um certo estado de consciência, no qual fazemos a obra do Criador?

Não é um estado de consciência, é a nossa atitude, a nossa intenção em respeito aos outros.

Isso pode ser em qualquer altura e em qualquer lugar?

Sim, é claro. Não faz diferença onde você se encontra fisicamente.

A porção menciona os três Regalim (festivais de peregrinação), que no nosso mundo aparecem como festivais de Pessach (Páscoa), Shavuot (Festa das Semanas), e Sucot (Festa dos Tabernáculos).

Estes são graus. Quanto mais nos corrigimos, mais avançamos nos 125 graus. E quanto mais avançamos, mais pausas há entre os graus, tais como os dias da semana, o Shabat, começos dos meses, os três festivais de peregrinação, então a Shmitá, Yovél e assim por diante.

Os três festivais de peregrinação, Pessach, Shavuot e Sucot, são graus especiais. No Portão das Intenções do ARI, ele menciona-os muito frequentemente como “grandes” e “sublimes”. Estas são medidas de nossa conexão. Se trabalharmos e trabalharmos e nos conectarmos entre nós e subitamente algo se fecha, isso é chamado uma Regel (perna), ou seja, um passo em frente. À medida que nos conectamos e corrigimos nossas relações, as tornando mais próximas, alcançamos outra fase.

As três fases são NHY, CHGT, e CHBD, ou Ibur-Yeniká-Môchin (concepção-amamentação-idade adulta). Aprendemos sobre elas na sabedoria da Cabala. É assim que avançamos até que construamos entre nós uma Partzuf (face) completa chamada “Adam” (homem) que é Domé (semelhante) à qualidade completa de doação, que é o Criador.

É o estado de Éretz Yisrael absoluto, ou há ainda mais trabalho nisso?

De acordo com esta porção, avançamos para a terra de Israel e devemos corrigir todos nossos desejos através da luz de Chochmá. Trabalhar na terra de Israel não é simples. Não acontece tudo de uma vez, mas é em vez disso um processo algo longo.

Podemos compreender dos Regalim que trabalhamos em conexão, mas não vemos resultados até que um novo estado subitamente apareça e este é o próximo passo em diante?

Sim.

Isto é uma Regel?

Uma Regel é o fim de todas as fases anteriores. É quando uma pessoa para, como se estacionando e continua a partir dele em diante em direção ao próximo período.

Como se conecta o dízimo a tudo isso?

“Dízimo” significa um décimo de Malchut. Malchut é a décima Sefirá (singular de Sefirot) na nossa estrutura inteira. Nós temos desejos chamados Kéter, Chochmá, Biná, Chéssed, Gvurá, Tiféret, Netzach, Hod, Yessód e Malchut. Malchut é a décima, mas dado que não a podemos corrigir, a passamos ao dar um dízimo (dez por cento) e esta é sua correção.

A quem o damos?

Ao povo, ao Templo. A casa é mais que simplesmente o coração do homem. Beit ha Mikdásh (A Casa do Templo) está inteiramente fora de nós. Ela está na nossa conexão com os outros, nos nossos desejos para com os outros e dedicamos Malchut a isso.

 

Termos

Bênção

Se queremos alcançar a qualidade de doação, a luz afeta-nos e constrói essa qualidade em nós.

Maldição

O oposto de uma bênção. Se uma pessoa deseja ter a intenção de receber, de explorar os outros, de receber deles, essa pessoa sofre golpes que a ensinam que ela deve ser o oposto. Funciona sempre dessa maneira.

Um Dever, em Oposição a uma Proibição

Correção em oposição à corrupção. É proibido estar na vontade de receber egoísta. Em vez disso, é

“um dever” a corrigir para um desejo com a direção de doar.

Lugar

Um “lugar” é um desejo. Não há lugares na realidade; o mundo em que nos encontramos é chamado um “lugar imaginário”. Parece-nos a nós que estamos em um lugar no espaço, em um universo, mas a verdade é que ele é um desejo do Criador, onde percebemos certos fenômenos.

Templo

Um Mikdásh (Templo) vem da palavra Kadosh (sagrado). Isto significa bênção, doação, amor pelos outros, qualquer coisa que esteja fora de uma pessoa é chamada Templo. Dentro de nós há somente um ponto. Quando nos conectamos aos outros, nossa atitude para eles constrói neles um Templo. Uma pessoa deve chegar ao Templo e entrar nele.

Um “Templo” são todos os desejos dos outros para os quais estamos em doação. Trazemos-      lhes contribuições ou dízimo; chegamos lá com todos nossos presentes, com os “sagrados”. Podemos doar sobre os outros qualquer coisa que queiramos. Trazemos oferendas e fazemos este trabalho. As oferendas são muito importantes porque dando aos outros, nos aproximamos da doação

Profecia

Este é um grau especial sobre o qual o Ramchal (Rabi Moshe Chaim Lozzatto) escreveu no seu belo estilo no livro, O Caminho do Senhor. Ele elabora lá todos os caminhos para alcançar os graus de doação, um deles é profecia.

Isto é algo que exista em cada pessoa no caminho?

Existe em todos e qualquer um pode alcançar.

Kashrut

Com cada um de nossos desejos que foram corrompidos, fazemos vários escrutínios. Cortamos e os ordenamos de tal maneira que os possamos usar com a meta de doar. Isto é considerado os tornar Kosher.

 

* Leis de Kashrut definem o que é Kosher, ou seja, permitido para comer ou para preparar a comida, vestir e outras áreas da conduta humana.

** “Introdução ao livro, Panim Meirot UMasbirot”.

Ékev (Porque)

Do livro “Divulgando Uma Porção”

(Deuteronômio, 7:12-11:25)

 

Sumário da Porção

Na porção, Ékev (Porque), Moisés continua seu discurso para o povo de Israel. Ele reitera que se Israel mantiver as leis e as ordenanças que o Criador lhes ordenou, o povo será recompensado com felicidade, saúde e triunfo sobre seus inimigos. Mas se não o fizer, o Criador não os guardará e eles serão perdidos entre as nações.

A porção também descreve as virtudes da terra de Israel, as sete espécies. Finalmente, o povo é ordenado a ensinar estas coisas a seus filhos e cravar a Mezuzá* nas suas ombreiras.

 

Comentário

Moisés alerta o povo para manter as leis da Natureza pois o Criador é Elokim (Deus) e em Guemátria (valores numéricos atribuídos às letras Hebraicas), é “A Natureza”.

O Criador deu-nos a Torá (Pentateuco), as leis do mundo. A Torá é como um livro de física exceto que as leis nele são absolutas e precisas. Somente Israel as receberam. Se agirmos de acordo com estas leis, estaremos acima de todas as coisas. Recebemos uma promessa em avançado e isto é verdadeiramente o que está a acontecer. Se mantivermos as leis diante de nós, receberemos qualquer coisa que quisermos – felicidade, respeito, segurança, saúde, eternidade, inteireza, este mundo e o mundo vindouro.

Estas leis resumem-se a uma: “Ama teu próximo como a ti mesmo; essa é uma grande regra na Torá”. Tudo o que precisamos é manter essa lei – amor pelos outros. A Torá inteira não fala de nada senão disso.

Os problemas começam com manter essa lei. Nós não o conseguimos fazer sozinhos. É somente possível em um meio ambiente que nos sustente, juntamente com todos os membros desse meio ambiente. Somente através de apoio mútuo podemos verdadeiramente manter essa lei. Baal HaSulam (Rav Yehuda Ashlag) mencionou a esse respeito uma história sobre dois amigos que velejavam em um barco. Quando um deles começou a furar debaixo dele, seu amigo perguntou, “Que fazes? ” O outro respondeu, “Não te diz respeito, furo somente debaixo de mim”.

Vivemos em tempos especiais. Todos sentimos que estamos em um único barco e esta é a situação adequada para finalmente começar a seguir a regra geral de amor pelos outros, a lei comum da natureza: mutualidade. A crise global e integral colocou-nos contra nossa vontade em um único barco onde todos furamos debaixo de nós sem consideração por mais ninguém.

Agora devemos começar todos a reorganizar e a nos conectarmos uns aos outros em garantia mútua. Todos devem garantir que todos os outros não quebrem a lei e todos cuidarão de todos os outros da mesma maneira. Reunimos a coragem e o poder para não prejudicar os outros e não fazer um buraco. Se abordarmos a lei geral da Natureza deste modo, verdadeiramente sentiremos que não carecemos de nada pois não há nada melhor que quando estamos em congruência com a Natureza.

É como com os espiões: começamos a ver os frutos da terra de Israel, o sol e a luz, como está escrito que o Criador está presente do princípio do ano até ao fim do ano, ou seja felicidade, saúde e segurança. Ninguém será capaz de se aproximar de nossas fronteiras e dizer que a terra não é nossa, porque estaremos em congruência com as leis ditadas do alto. Estas são as mesmas leis que na realidade são somente uma: “Ama teu próximo como a ti mesmo”. É a mesma garantia mútua que nos ajuda a cuidar uns dos outros.

Desta forma, se mantivermos esta lei, que é a essência da Torá, teremos abundância. Se não o fizermos, descobriremos com crescente clareza, como agora acontece, que estamos dependentes de todos. Não fazemos ideia do que está a acontecer com a defesa de nosso país e até compreendemos e sabemos em avançado o que pode acontecer, as coisas ainda acontecem. Se nos abstivermos de manter a clara condição, chegaremos onde nos encontramos e quem sabe onde podemos terminar.

Estamos dependentes do Banco Mundial e do Mercado Comum. De fato, o mundo inteiro é interdependente sem entender porque assim é. Excelentes condições nos são dadas para começar, um livro que explica as leis do mundo e a sabedoria da Cabala, que explica como nos elevarmos acima destas leis e nos mostra que podemos nos elevar acima de nossa natureza. Se o Criador nos promete segurança, felicidade e saúde, é tudo o que precisamos. Estes três parâmetros são tudo o que os manifestantes pelo mundo pedem. Eles, também, não precisam de nada mais senão segurança, felicidade e saúde.

Segurança é um elemento fundamental que define nossa atitude para a vida. Felicidade define nossa independência em respeito ao resto do mundo, sem ninguém que seja capaz de nos trazer acima ou abaixo. O mesmo serve para nossa saúde; tudo depende de nós. Tudo o que precisamos fazer é manter dentro de nossa nação a condição, “Ama teu próximo como a ti mesmo”. É fácil manter essa condição em garantia mútua. Se a entendermos e nos apoiarmos uns aos outros, em um curto período de tempo nos elevaremos a tal nível que ninguém será capaz de nos prejudicar, não no nível econômico, nem no nível da saúde e nem no nível da defesa.

Está na hora de, através de explicações, alcançarmos a sensação de garantia mútua e amor mútuo na nação e tudo o que está escrito na porção se tornará realidade.

 

Perguntas e Respostas

Se estivermos em um estado de garantia mútua, não teremos de ter consideração pelo mundo inteiro? Seremos felizes até se outras coisas acontecerem noutros lugares, ou subitamente entenderemos quão dependentes somos de todas as coisas que acontecem no mundo?

Não está escrito em lugar nenhum na Cabala que temos de tomar em consideração o que está a acontecer no mundo. O mundo é governado do alto. Todos os líderes, quem quer que sejam, são governados do alto. Nosso mundo é um mundo de resultados, o mundo mais inferior.

A força comum, a luz, vem de Ein Sof (infinito) através de todos os mundos, que são ocultações da luz. Através deles ela influencia o nosso mundo, a nós e a todas as nações do mundo. Podemos somente reagir a ela e nos ajustarmos ao mundo superior através de nossas ações.

A conexão entre nós indica que estamos em congruência com o mundo superior, que é inteiramente como um. Nossa alma no alto é chamada Adam e ela é uma, tal como a força superior é uma. A alma de Adam se dividiu em muitas almas, mas se as coletarmos todas juntas, todos nossos desejos, nossas inclinações, nos ajustaremos à força superior, a força comum da Natureza. Elokim (Deus) em Guemátria é “A Natureza”.

O mundo não nos influenciará então?

Não só o mundo não nos influenciará, mas ao elevarmos nossos desejos, nos tornamos aqueles que influenciam o mundo superior. Então, o mundo superior influenciará o mundo e a todas as nações do mundo. O profeta Isaías escreveu que as nações do mundo levarão os filhos de Israel nos seus ombros e os trarão a Jerusalém para construir o Templo. Esse é um modo alegórico de dizer que o mundo inteiro compreenderá que há somente um lugar para a terra de Israel.

Todas as pessoas terão de alcançar essa garantia mútua, entendimento e Dvekút (adesão)?

Sim, garantia mútua e amor mútuo. Temos de manter a lei, “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Contudo, não precisamos pensar sobre quando acontecerá, pois, assim que mantivermos esta lei e avançarmos para ela, até por uma fracção de um milímetro, não mais seremos opostos à Natureza, mas em congruência com ela. A tendência, a intenção está em fazer, tal como uma criança desobediente e problemática subitamente começa a se comportar bem. Imediatamente começamos a tratá-la diferentemente. Enquanto fazemos estas coisas, imediatamente veremos que estamos no caminho certo pois subitamente nos sentiremos empoderados e que nossas ações são abençoadas.

Ouvimos que todos querem amor. Quando começamos a falar sobre garantia mútua e conexão mútua, as pessoas sentem satisfação, uma sensação de amor. Nenhum orçamento pode cobrir todos os problemas e apuros que existem na nação. Ninguém concordará a ser o último a receber uma fatia da tarte; cada um puxará para a sua própria direção e nunca haverá um fim para isso.

Devemos nos sentar em uma mesa redonda como uma família e primeiro e antes de mais, nos tratarmos uns aos outros com amor e trazermos todos debaixo do guarda-chuva da garantia mútua, onde todos são como um. Devemos tomar nossas decisões como em uma família: um precisa de habitação, outro precisa de algum dinheiro, outro tem pobre saúde, outro é idoso e assim por diante. Como em uma família, depois da conversa na mesa redonda, todos entenderão o que precisamos fazer em prol de mudar a situação. Todos sentirão também satisfação ao serem aqueles que fizeram concessões e tiveram coração generoso.

Assumimos que em uma família, as pessoas se preocupam umas com as outras.

Este é o ponto que nos falta. Sem ele, nunca alcançaremos uma solução. Teremos mais e mais comités, mas nada ajudará. As pessoas nem sequer entrarão nesses comités e se o fizerem, isso só demonstrará que eles são inúteis. Nosso mundo é global, redondo e se não acharmos uma solução ou um processo que concorde com as leis do mundo, perderemos. Esta será uma grande perda pois a próxima erupção pode ser muito pior. Precisamos pensar sobre isso em avançado, para que não digamos posteriormente, “Tentamos, mas não resultou”. Os danos que serão feitos ao povo serão muito grandes e evocarão tamanha amargura e dor que não sabemos dizer para onde isso conduzirá.

O que significa que hoje o mundo é global? Como se tornou ele subitamente global?

Não há nada de novo sobre as leis do mundo; somente nós mudamos através da história. Está escrito na sabedoria da Cabala que do fim do século vinte e o começo do século vinte e um, como Baal HaSulam, o Gaon de Vilnius e outros disseram, nosso mundo avançará para um estado de ser global.

“Ser global” significa que a lei principal no mundo é a lei do círculo: todos estamos conectados e dependentes uns dos outros. E se somos dependentes e conectados, é impossível começar a lutar.

Devemos chegar a certo acordo, algo sensível, considerável, em garantia mútua. Rapidamente nos aproximamos desse estado pelo mundo.

Em breve descobriremos que não só sentimos a necessidade de uma solução, mas que não há outra solução senão a mutualidade. Assim que chegarmos a uma solução depois de termos sentado com todos, nos sentiremos satisfeitos. Seremos respeitados por termos feito concessões pelos outros e sentiremos calor pois fomos considerados pelos outros. Nos sentiremos mais seguros pois não estaremos mais sozinhos; estaremos junto com todos.

Deste modo, descobrimos o poder na união que atua de acordo com a força superior. Todos devem sentir esse poder, a nação inteira, todas as nações. Na sabedoria da Cabala, a força aparece imediatamente para aqueles que se tornam conectados à sociedade. Agora, o mundo está prestes a descobri-la. A agitação pelo mundo é somente o princípio deste surgimento pois o que as pessoas realmente precisam, até se não o conseguirem exprimir, é amor.

Está escrito que as devemos ensinar nossos filhos e escrever na Mezuzá.** Isto diz respeito a estados internos ?

Os filhos somos nós. Nas porções anteriores, os filhos foram nossos estados futuros. O presente estado é chamado um “pai”, e o próximo estado é considerado um “filho”, o resultado do primeiro estado…

Não está claro que estejamos a avançar de estado para estado? Há algo que devemos fazer em prol de avançar para ele?

É claro, devemos constantemente avançar em direção a ele quando ascendendo até ao nível de manter essa lei, bem como nas novas condições nas quais independentemente mantemos a lei de união, a lei do amor.

Isso significa que uma maior medida de conexão entre nós é os nossos filhos?

Sim. De fato, a inteira porção é um resultado de Shemá Yisrael (Escutai, Ó Israel) da anterior porção, que é o porquê de assim estar escrita. Está também escrito sobre as Mezuzás. Uma pessoa que sai de um estado ou regressa ao seu estado refere-se à saída e à entrada na casa.

A “casa” é o seu Kli (vaso), o seu coração e todos os seus desejos. Quando conectamos os novos desejos e os corrigimos, quando entramos e saímos, a luz está sempre conosco. Esta é a correção chamada Mezuzá. Ela é uma luz especial com a qual devemos estar equipados em prol de embarcar em novas correções.

No total, nossas almas consistem de 613 desejos. Precisamos corrigir esses desejos um de cada vez, de leves aos pesados, para que eles tenham a direção de doar sobre os outros e através dos outros ao Criador.

Um estado de Arvut (garantia mútua) é quando todos cuidamos uns dos outros. Hoje, em que as pessoas se sentem mal, elas concordarão em se unir. Mas o que as manterá juntas no dia depois do apuro terminar?

Garantia mútua. É por isso que não é suficiente decidir nos amarmos uns aos outros agora. A resposta é que somente através de garantia mútua é possível nos conectar de tal maneira que se um cair, todos caem e assim cada um sustenta todos os outros.

Se eu nada tivesse antes e subitamente tivesse algo, graças à garantia mútua, é claro que ficaria feliz com isso. Mas, e aqueles que tinham bastante e desistiram dele?

É por isso que, quando falamos de implementar a garantia mútua, falamos de uma mesa redonda ao redor da qual todos nos sentamos juntos, até centenas de pessoas. Cada um de nós levantará suas preocupações e pedirá o que ele ou ela necessita. Mas primeiro, devemos nos unir entre nós. Somente através de nossa união em garantia mútua, como uma nação em um pequeno país, resolveremos nossos problemas. Não há outro modo de os resolver, pois não temos outros recursos nem modo de dividir a tarde de uma maneira que preencha nossos défices. Só nos estaremos a prejudicar a nós mesmos desta maneira e está claro que nada resultará disso.

Nós temos somente uma alternativa: uma deliberação que conduza à conexão e amor. Se começarmos a organizar a nação inteira ao redor da mesa e começarmos a agir através da mídia, em reality shows, na televisão, na Internet, nos teatros, na música e em cooperação com diferentes artistas, podemos educar o povo para valorizar o conceito de “garantia mútua” e então veremos como todos estão conectados. Não tardará muito para vermos um lado diferente das pessoas.

O sentiremos quando conduzirmos nossos automóveis e o sentiremos nos nossos filhos serem menos violentos uns para os outros. O sentiremos em todo o lugar. Começaremos a influenciar o mundo inteiro com esta força porque seremos nós que a daremos ao mundo inteiro, embora possa não o parecer neste momento. Assim que tenhamos a força boa, ela se espalhará pelo mundo inteiro.

Não podemos trazer segurança ao país a menos que reunamos o poder da Arvut. Hoje é impossível governar do modo tradicional, embora possamos tentar.

Há só uma coisa que precisamos somar aos esforços para nos mantermos seguros: devemos implementar a lei, “Ama teu próximo como a ti mesmo” como aqui é prometido. Ela é chamada “Torá” (lei) e não outros símbolos, como outros pensam da Torá e o sentido das Mitzvot (mandamentos) da Torá.

A Torá significa, “Eu criei a inclinação ao mal, Eu criei a Torá para ela como tempero”, pois “a luz nela os reforma”. Precisamos chegar a um estado de amor. Se chegarmos a ele, haverá felicidade, saúde e segurança.

Quando Abraão estabeleceu a nação, ele explicou a todos que entravam na sua tenda na Babilônia sobre o sentido da Arvut. Ele descreveu a qualidade de Chéssed (misericórdia), que é a qualidade de Abraão e disse que é assim que nos devemos relacionar uns com os outros. Foi assim que ele estabeleceu a nação e foi assim que milhares de pessoas o seguiram. Tudo depende de se nos conectamos hoje ou não. Esta não é meramente uma ideia; não temos outra escolha; ela é a única solução possível e devemos escutar antes que venham os problemas.

 

Termos

Benevolente (o Bom Que Faz o Bem)

A luz vem do Criador, que é benevolente. Contudo devido a nossa disparidade da luz, a sentimos como o oposto. É como uma mãe que ama seu filho, mas o filho vê seu comportamento como mau. Por dentro, seu coração é bom e aberto, mas por fora ela deve se comportar diferentemente com seu filho em prol de o “endireitar”. É o mesmo conosco. Tudo trabalha de acordo com a promessa que está escrita nesta porção.

 

Leis e Ordenanças, opostas à Lei Única

A “Lei Única” é a luz que se encontra oposta a todos os nossos desejos, que são os 613 desejos. Se ordenarmos todos eles em doação e amor, em congruência com a luz, estaremos em um estado de benevolência (o Bom que faz o bem).

Inimigo e Triunfo

O “inimigo” é nosso ego. Triunfo é quando podemos nos elevar acima dele, como está escrito, “Amor cobre todas as transgressões” (Provérbios, 10:22) O ego está debaixo de um “guarda-chuva” em garantia mútua e isto é muito bom, mas nós estamos acima dele, unidos.

Temor

“Temor” é o nosso primeiro contato com a sempre crescente vontade de receber. O medo vem quando não nos conseguimos elevar acima do ego. Há sempre estados tais, mas assim que nos elevamos acima do ego, o medo não existe mais.

 

* Mezuzá (batente): Textos de Deuteronômio inscritos em pergaminho e enrolados em uma caixa que está anexa à ombreira da porta.

** “As ensinareis diligentemente a vossos filhos e falareis delas quando vos sentais na vossa casa e quando caminhais pelo caminho e quando vos deitais e quando vos levantais. As atareis como um sinal na vossa mão e elas serão como frontais na vossa testa. As escrevereis nos batentes de vossa casa e nos vossos portões” (Deuteronômio, 6:7-9).